segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Refutando a Bíblia

“O ÊXODO NÃO EXISTIU”, diz o arqueólogo Israel Finkelstein. TEL AVIV. – Israel Finkelstein é um homem de sorte: mesmo que seus trabalhos de arqueologia questionem a origem divina dos primeiros livros do Antigo Testamento, judeus e católicos acolhem suas hipóteses com autêntico interesse e, curiosamente, não o estigmatizam. Este “enfant terrible” da ciência revolucionou a nova arqueologia bíblica quando afirmou que a saga histórica relatada nos cinco livros que formam o Pentateuco dos cristãos e a Torá dos judeus não responde a nenhuma revelação divina. Disse que, pelo contrário, essa gestação é um brilhante produto da imaginação humana e que muitos de seus episódios nunca existiram. El Pentateuco “é uma genial reconstrução literária e política da gênesis do povo judeu, realizada 1500 anos depois do que sempre acreditamos”, afirma Finkelstein, de 57 anos, diretor do Instituto de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv. Acrescenta que esses textos bíblicos são uma compilação iniciada durante a monarquia de Josias, rei de Judá, no século VII AEC. Naquela época, esse reino israelita do Sul começou a emergir como uma potência regional, em uma época em que Israel (reino israelita do Norte) tinha caído sob o controle do império assírio. O objetivo principal dessa obra era criação de uma nação unificada que pudesse basear-se em uma nova religião. O projeto, que marcou o nascimento da ideia monoteísta, era formar um só povo judeu, guiado por um só Deus, governado por um só rei, com uma só capital, Jerusalém, e um só templo, o de Salomão. Em suas obras, que têm marcado as novas gerações da escola de arqueologia bíblica, Finkelstein estabelece uma coerência entre os cinco livros do Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Os séculos nos trouxeram estes episódios relatam a criação do homem, a vida do patriarca Abraão e sua família - fundadora da nação judaica - o êxodo do Egito, a instalação na terra prometida e a época dos Reis. De acordo com Finkelstein, essas histórias foram embelezadas para servir ao projeto do rei Josias de reconciliar os dois reinos israelitas (Israel e Judá) e impor-se contra os grandes impérios regionais: Assíria, Egito e Mesopotâmia. O arqueólogo recebeu LA NACION na Universidade de Tel Aviv. - Durante mais de vinte séculos, os homens creram que Deus tinha ditado as Escrituras a certo número de sábios, profetas e grandes sacerdotes israelitas. - Assim é. Para as autoridades religiosas, judaicas e cristãs, Moisés era o autor do Pentateuco. Segundo o Deuteronômio, o profeta o escreveu pouco antes de sua morte, no monte Nebo. Os livros de Josué, dos Juízes e de Samuel eram arquivos sagrados, obtidos e conservados pelo profeta Samuel no santuário de Silo, os livros de Reis vinham da pena do profeta Jeremias. Davi era o autor dos Salmos e Salomão, o autor de Provérbios e do Cântico dos cânticos. Entretanto... Desde o século XVII, os estudiosos começaram a se perguntar sobre quem tinha escrito a Bíblia. Moisés foi a primeira vítima dos avanços da investigação científica, que levantou muitas contradições. Como é possível - perguntaram os especialistas - que tenha sido o autor do Pentateuco quando o Deuteronômio, o último dos cinco livros, descreve o momento e as circunstâncias de sua própria morte? - Você afirma que o Pentateuco foi escrito em uma idade muito mais recente. - A arqueologia moderna nos permite assegurar que o núcleo histórico do Pentateuco e da história deuteronômica foi composto durante o século VII antes de Cristo. O Pentateuco foi uma criação da monarquia tardia do reino de Judá, destinada a propagar a ideologia e as necessidades desse reino. Creio que a história deuteronômica foi compilada durante o reino de Josias, a fim de servir de fundamento ideológico às ambições políticas e reformas religiosas particulares. -Segundo a Bíblia, primeiro foi a viagem do patriarca Abraão, da Mesopotâmia a Canaã. O relato bíblico abunda em informações cronológicas precisas. - É verdade. A Bíblia fornece uma quantidade de informações que deveria permitir saber quando viveram os patriarcas. Nesse relato, a história do começo de Israel se desenvolve em sequências bem ordenadas: os Patriarcas, o Êxodo, a travessia do deserto, a conquista de Canaã, o reino dos Juízes e o estabelecimento da monarquia. Fazendo cálculos, Abraão deveria ter partido para Canaã uns 2100 anos antes de Cristo. - E não é assim? - Não. Em dois séculos de investigação científica, a busca pelos patriarcas nunca deu resultados positivos. A suposta migração para o Oeste de tribos provenientes da Mesopotâmia, com destino a Canaã, se revelou ilusória. A arqueologia conseguiu provar que nessa época não se produziu nenhum movimento massivo de população. O texto bíblico dá indícios que permitem precisar o momento da composição final do livro dos Patriarcas. Por exemplo, a história dos patriarcas está cheia de camelos. No entanto, a arqueologia revela que o dromedário foi domesticado somente quando acabava o segundo milênio anterior à era cristã, e que começou a ser usado como animal de carga no Oriente Médio muito tempo depois do ano 1000 AEC. A história de José diz que a caravana de camelos transportava “goma tragacanto, bálsamo e láudano”. Essa descrição corresponde ao comércio realizado pelos mercadores árabes sob o controle do império assírio nos séculos VIII e VII AEC. Outro fato anacrônico é a primeira aparição dos filisteus no relato, quando Isaque encontra Abimeleque, rei dos filisteus. Esses filisteus, grupo migratório proveniente do mar Egeu ou da Ásia Menor, se estabeleceram na planície costeira de Canaã a partir de 1200 AEC. Este e outros detalhes mostram que esses textos foram escritos entre os séculos VIII e VII AEC. - O heroísmo de Moisés frente à tirania do faraó, as dez pragas do Egito e o Êxodo massivo de israelitas para Canaã são alguns dos episódios mais dramáticos da Bíblia. Isso também é lenda? -Segundo a Bíblia, os descendentes do patriarca Jacó permaneceram 430 anos no Egito antes de iniciar o Êxodo para a terra Prometida, guiados por Moisés, a meados do século XV AEC. Outra possibilidade é que essa viagem tenha ocorrido séculos depois. Os textos sagrados afirmam que 600.000 hebreus cruzaram o Mar Vermelho e que erraram durante 40 anos pelo deserto antes de chegarem ao monte Sinai, onde Moisés selou a aliança de seu povo com Deus. No entanto, os arquivos egípcios, que registravam todos os acontecimentos administrativos do reino faraônico, não registraram nenhum rastro de uma presença judaica durante mais de quatro séculos em seu território. Também não existiam, nessas datas, muitos locais mencionados no relato. As cidades de Pitom e Ramsés, que teriam sido construídas pelos hebreus escravos antes de partir, não existiam no século XV AEC. O Êxodo, desde o ponto de vista científico, não resiste a qualquer análise. - Por quê? - Porque, desde o século XVI AEC, O Egito havia construído em toda a região uma série de fortes militares, perfeitamente administrados e equipados. Nada, desde o litoral oriental do Nilo até o mais distante dos povos de Canaã, escapava ao seu controle. Quase dois milhões de israelitas que tivessem fugido pelo deserto durante 40 anos deveriam ter chamado a atenção dessas tropas. No entanto, nem uma estela da época faz referência a essa gente. Tampouco existiram as grandes batalhas mencionadas nos textos sagrados. A orgulhosa Jericó, cujos muros se desmancharam com o soar das trombetas dos hebreus, não passava de um pobre casario. Tampouco existiam outros lugares célebres, como Bersheba ou Edom. Não havia nenhum rei em Edom para enfrentar os israelitas. Esses locais existiram, mas muito tempo depois do Êxodo, muito depois do surgimento do reino de Judá. Nem sequer há rastros deixados por essa gente em sua peregrinação de 40 anos. Temos sido capazes de encontrar rastros de minúsculos casarios de 40 ou 50 pessoas. A menos que essa multidão nunca tenha parado para dormir, comer ou descansar: não existe o menor indício de sua passagem pelo deserto. - Em resumo, os hebreus nunca conquistaram a Palestina. - Nunca. Porque já estavam ali. Os primeiros israelitas eram pastores nômadas de Canaã que se instalaram nas regiões montanhosas, no século XII AEC. Ali, umas 250 comunidades muito reduzidas viveram da agricultura, isoladas umas das outras, sem administração nem organização política. Todas as escavações na região exumaram vestígios de povoados com silos para cereais, mas também de currais rudimentares. Isto nos leva a pensar que esses indivíduos haviam sido nômadas que se converteram em agricultores. Mas esta foi a terceira onda de instalação sedentária registrada na região desde 3500 AEC. Esses povoadores passavam alternativamente do sedentarismo ao nomadismo pastoril com muita facilidade. - Por quê? - Esse tipo de flutuação era muito frequente no Oriente Médio. Os povos autóctones sempre souberam operar uma rápida transição da atividade agrícola à pastoril em função das condições políticas, econômicas ou climáticas. Neste caso, em épocas de nomadismo, esses grupos intercambiavam a carne de suas manadas por cereais com as ricas cidades cananeias do litoral. Mas quando estas eram vítimas de invasões, crises econômicas ou secas, esses pastores se viam forçados a procurar os grãos necessários para sua subsistência e se instalavam para cultivar nas colinas. Esse processo é o oposto do que relata a Bíblia: o surgimento de Israel foi o resultado, não a causa do colapso da cultura Cananeia. - Mas então, se esses primeiros israelitas eram também originários de Canaã, como identificá-los? - Os povos dispõem de todo tipo de meios para afirmar sua etnicidade: a língua, a religião, a indumentária, os ritos funerários, os tabus alimentares. E neste caso, a cultura material não apresenta nenhum indício revelador quanto a dialetos, ritos religiosos, formas de vestir ou de enterrar os mortos. Mas há um detalhe muito interessante sobre seus costumes alimentares: nunca, em nenhum povoado israelita, foram encontrados ossos de porco. Nessa época, os primeiros israelitas eram o único povo dessa região que não comia porco. - Qual é a razão? - Não sabemos. Talvez os proto-israelitas tenham deixado de comer porco porque seus adversários o fizessem em profusão e eles queriam ser diferentes. O monoteísmo, os relatos do Êxodo e a aliança estabelecida pelos hebreus com Deus fizeram sua aparição muito mais tarde na história, 500 anos depois. Quando os judeus atuais observam essa proibição, não fazem mais que perpetuar a prática mais antiga da cultura de seu povo verificada pela arqueologia. - No século X AEC, as tribos de Israel formaram uma monarquia unificada - o reino de Judá – sob a égide do rei Davi. Davi e seu filho, Salomão, serviram de modelo às monarquias do Ocidente. Tampouco eles foram o que sempre se acreditou? - Nem mesmo neste caso a arqueologia tem sido capaz de encontrar provas do império que nos relata a Bíblia: nem nos arquivos egípcios nem no subsolo palestino. Davi, sucessor do primeiro rei, Saul, provavelmente existiu entre 1010 e 970 AEC. Uma única estela encontrada no santuário de Tel Dan, no norte da Palestina, menciona “a casa de Davi”. Mas nada indica que se trate do conquistador que evocam as Escrituras, capaz de derrotar Golias. É improvável que Davi tenha sido capaz de conquistas militares a mais de um dia de marcha de Judá. A Jerusalém de então, escolhida pelo soberano como sua capital, era um pequeno povoado, rodeado de aldeias pouco habitadas. Onde o mais carismático dos reis, teria conseguido recrutar soldados e reunir o armamento necessário para conquistar e conservar um império que se estendia desde o Mar Vermelho, ao Sul, até a Síria, ao Norte? Salomão, construtor do Templo e do palácio de Samaria, provavelmente tampouco tenha sido o personagem glorioso que nos legou a Bíblia. - E de onde saíram seus fabulosos estábulos para 400.000 cavalos, cujos vestígios se encontraram? - Foram fazendas instaladas no sul do reino de Israel várias décadas mais tarde. Com a morte de Salomão ao redor de 933 AEC, as tribos do norte da Palestina se separaram do reino unificado de Judá e constituíram o reino de Israel. Um reino que, contrariamente ao que afirma a Bíblia, se desenvolveu rápido, econômica e politicamente. Os textos sagrados nos descrevem as tribos do Norte como bandos de fracassados e pusilânimes, inclinados ao pecado e à idolatria. No entanto, a arqueologia nos dá boas razões para crer que, das duas entidades existentes, a meridional (Judá) foi sempre mais pobre, menos povoada, mais rústica e menos influente. Até o dia em que alcançou uma prosperidade espetacular. Isto se produziu depois da queda do reino de Israel, ocupado pelo poderoso império assírio, que não só deportou os israelitas para a Babilônia, como também instalou sua própria gente nessas férteis terras. - Foi, então, durante o reino de Josias em Judá quando surgiu a ideia desse texto que se transformaria em fundamento de nossa civilização ocidental e origem do monoteísmo? - Até o final do século VII AEC havia em Judá uma efervescência espiritual sem precedentes e uma intensa agitação política. Uma coalizão heterogênea de funcionários da corte seria a responsável pela confecção de uma saga épica composta por uma coleção de relatos históricos, memórias, lendas, contos populares, histórias, profecias e poemas antigos. Essa obra mestra da literatura - metade composição original, metade adaptação de versões anteriores - passou por ajustes e melhoras antes de servir de fundamento espiritual aos descendentes do povo de Judá e a inumeráveis comunidades em todo o mundo. - O núcleo do Pentateuco foi concebido, então, quinze séculos depois do que acreditávamos. Só por razões políticas? Com o fim de unificar os dois reinos israelitas? - O objetivo foi religioso. Os dirigentes de Jerusalém lançaram um anátema contra a mínima expressão de veneração de divindades estrangeiras, acusadas de ser a origem dos infortúnios que padecia o povo judeu. Colocaram em marcha uma campanha de purificação religiosa, ordenando a destruição dos santuários locais. A partir desse momento, o templo que dominava Jerusalém devia ser reconhecido como único local de culto legítimo pelo conjunto do povo de Israel. O monoteísmo moderno nasceu dessa inovação. Fonte: Entrevista realizada por Luisa Corradini para o diário LA NACIÓN a Finkelstein. Publicada el 25 de Janeiro de 2006.

Oito Falácias que Contribuem para a Anticiência.

Por George Dvorsky Publicado na Io9 Hoje, mais do que nunca, precisamos de ciência. Infelizmente, muitas pessoas pensam que é difícil obter informações precisas sobre o método científico e suas realizações. O problema é que muitos dos argumentos utilizados para desprestigiar ou refutar as descobertas científicas (ou o próprio método científico) estão repletos de erros lógicos. Por esta razão, selecionei oito das falácias anticientíficas mais comuns: 1. Falsa equivalência Somos uma plataforma dedicada ao conhecimento que só poderá continuar a existir graças a sua comunidade de apoiadores. Saiba como ajudar. Não há dúvida de que a informação equilibrada é importante, mas isso não significa que cada perspectiva única sobre um tema polêmico tenha uma contraparte que mereça igual consideração. Essa é a falácia de falsa equivalência, a afirmação de que há uma equivalência lógica entre dois argumentos opostos quando não há nenhuma. Esse é um erro que acontece quando os jornalistas tratam de proporcionar um debate “justo” entre um ponto de vista científico e outro negacionista (como o debate entre Bill Nye e Ken Ham). Com demasiada frequência, contudo, o lado dissidente carece de evidências, ou apresenta evidência de má ou duvidosa qualidade. Na verdade, os dois lados de um argumento nem sempre são iguais em termos de qualidade e evidências. 2. Recurso da natureza Um dos argumentos mais utilizados para atacar os cientistas e os seus trabalhos é o apelo à natureza e a falácia naturalista. A primeira é a crença de que o que é natural é “bom”, enquanto que a falácia naturalista implica que “o que tiver que ser, será”. Ambas argumentam que o progresso da ciência e tecnologia representa uma ameaça para a ordem natural das coisas. É uma linha de argumentação que elogia a salubridade inerente de todas as coisas naturais, denunciando a insalubridade de todas as coisas não naturais. 3. Observação seletiva Muitos críticos da ciência deliberadamente (e, às vezes, inconscientemente) selecionam e compartilham informações que servem apenas para bombardear problemas específicos da ciência, sem levar em conta as informações que trabalham para apoiar essas hipóteses. Por exemplo: “O meu avô fumava e comia mal, e nunca adoeceu” (aqui inclui-se outra falácia: as estatísticas mostram números pequenos). Ou para indicar circunstâncias favoráveis, dispensando ou ignorando as situações desfavoráveis (ou vice-versa). 4. Apelar a fé “Não estou interessado em evidência, apenas tenho fé que o que creio está certo”. “Discutir acerca da existência de Deus é inútil, porque Deus está além dos argumentos ou razões científicas”. “Nego-me a crer no aquecimento global, porque tenho fé de que Deus não permitirá que algo de ruim aconteça”. Soa familiar? Essas frases são repetidas por pessoas que apelam à fé para fazer um argumento, uma falácia em que as convicções religiosas confundem-se com a evidência e a razão. Enquanto que muitas dessas pessoas pensam que estão agindo racionalmente, a verdade é que a escolha de crer em algo não é um substituto para a ciência. 5. Deus das lacunas A ciência não tem todas as respostas (nem pretende tê-las). Embora aceitemos o fato de que não sabemos como funciona a consciência, o que causou (caso exista uma “causa primordial”) o Big Bang, entre outras coisas. Isso não significa que esses problemas sejam insolúveis; é bem possível que encontremos soluções nos próximos dias ou décadas. Enquanto isso, é importante reunir evidências, propor novas hipóteses e assumir uma ontologia materialista (isto é, a ideia de que todo fenômeno pode ser explicado sem recorrer as ações de uma força divina). Infelizmente, há uma tendência entre os negacionistas da ciência que tentam preencher as lacunas do conhecimento com explicações de agentes sobrenaturais. Por exemplo, os criacionistas argumentam que a seleção natural não pode explicar adequadamente a complexidade, a diversidade e o aparente design da vida na Terra. Do mesmo modo, nos fenômenos neurológicos, tais como as experiências de quase-morte, atribui-se explicações de agentes sobrenaturais, enquanto existem explicações mais prováveis e plausíveis. 6. O uso das consequências Apelar às consequências pode ser visto como uma espécie de princípio de precaução, uma medida cautelar para evitar atividades ou esforços científicos que representem ameaças ao ambiente ou à saúde. Em muitos casos, no entanto, os anticientíficos tecem os limites de seus discursos com supostas consequências filosóficas e morais. Por exemplo, há o medo de que a teoria da evolução dê lugar a um genocídio, ou levar à conclusão de que os seres humanos são melhores do que os outros animais (isto é, a negação da excepcionalidade humana). Uma outra preocupação é a de que o ateísmo e o materialismo conduziram a uma vida imoral. Claramente, algumas vias de investigação científica são mais perigosas do que outras, mas não é o método científico (ou os cientistas) que tem culpa, mas, sim, como podemos adaptar-nos aos conhecimentos recém descobertos. 7. Retenção de consentimento “É só uma teoria!” Não, não é só uma teoria. Os princípios científicos como a seleção natural e a relatividade geral são teorias, mas chega um momento em que essas explicações ou modelos tornam-se tão instrutivas e úteis que se equiparam com o nível de axiomas (uma afirmação ou proposta que está aceita, estabelecida, ou que é evidentemente certa). Isso não significa que devemos abandonar o ceticismo científico, mas, sim, que é importante reconhecer a importância e utilidade das teorias, e não em desacreditá-las quando nos parecem inconvenientes. 8. Brincando de Deus Não é uma falácia lógica, mas, sim, um erro de pensamento: a ideia de que a humanidade não deve pisar no que é, tradicionalmente, conhecido como o domínio de Deus, e que, ao fazê-lo, estaríamos sendo arrogantes ou imprudentes. A preocupação é o fato de que estamos participando de atividades que estão além da nossa compreensão e controle, e que podem irrevogavelmente estragar as coisas. Mesmo correndo o risco de enfurecer a Deus nesse processo. Afirmações contra a ideia de “brincar de Deus” são utilizadas na questão do aborto, do controle de natalidade, da eutanásia voluntária, da engenharia genética e embrionária, e da colheita de células estaminais. Nota do Tradutor [1] Criacionistas, que são defensores do mito da criação bíblica, tentam colocar suas ideias em pé de igualdade com a teoria sintética da evolução, como se fossem ideias equivalentes. No entanto, o criacionismo ocupa o rol de pseudociências por suas afirmações falsas (p.ex., a origem do universo e da vida) e falhas preditivas (p.ex., as profecias pré e pós-apocalípticas), enquanto que a teoria da evolução está fundamentada em evidências que, com o auxílio de modelos que visam representar entidades materiais da realidade (p.ex., os ecossistemas e os seus componentes), explicam a diversidade da vida na Terra e a evolução humana. [2] O sujeito que faz uso desse tipo de argumento ignora que nem tudo que é natural é bom, como, por exemplo, bactérias, vírus ou venenos de animais e insetos. [3] Hoje, apesar dos avanços em biomedicina, as pessoas tendem a rechaçar as vacinas olhando para casos isolados que não tiveram estudos adequados, e ignorando revisões sistemáticas altamente rigorosas sobre a eficácia das vacinas. [4] O apelo à fé pode ser prejudicial na área da saúde. Convém recordamos do dogma anticientífico das testemunhas de Jeová, que acreditam que a transfusão de sangue compromete a pureza do sangue, e, por esta razão, acabam rechaçando o tratamento por causa de suas convicções fideístas sobre a vontade de Deus. Em consequência, as atitudes das testemunhas de Jeová acabam colocando a vida de seus familiares em risco e gerando empecilhos éticos sobre a atividade médica. [5] (a) A ontologia das ciências fáticas (p.ex., astronomia, biologia, física, história, neurociência, psicologia, química, sociologia, etc.) é materialista, porque elas lidam com entes materiais (campos, cérebros, indústrias, partículas, pessoas, sociedades); (b) não faz sentido afirmar que a ciência pretende responder todas as perguntas, porque muitas perguntas podem estar mal formuladas, outras podem ter surgido em decorrência de hipóteses que eram aceitadas em um dado período histórico (p.ex., “qual é a natureza do éter?”, ou “como o espírito interage com o cérebro?”) e outras que podem ter surgido através de investigações mal conduzidas (p.ex., “como o cérebro consegue mover objetos?”); (c) hoje, a partir do grande estudo da AWARE, sabemos que a consciência pode estar presente, apesar de ser clinicamente indetectável em um nível baixíssimo, em pacientes declarados clinicamente mortos (morte cerebral) que alegam terem voltado à vida, o que explica suas autodeclaradas experiências religiosas como alucinações provocadas pela falta de oxigênio e outras lesões no cérebro. [6] O medo de que a teoria da evolução dará lugar a um genocídio, assim como aconteceu nos Estados Unidos e na Alemanha nazista, reside na confusão entre a ciência e pseudociência. [7] As teorias visam explicar os fatos entre os entes materiais da realidade (p.ex., o mecanismo de evolução das espécies, ou a emergência da consciência no cérebro humano, entre outros fatos das quais seus referentes os designam), e não em criar explicações fantasiosas para coisas que não conhecemos. [8] O transhumanismo, que é o movimento que visa aplicar a ciência e tecnologia para aumentar a capacidade cognitiva e física de seres humanos, vem sofrendo com o ataque conservador por considerar a prática como herética.

A Bíblia é um Manual de Maus Costumes

Valter Moraes A Bíblia: "Por José Saramago " “A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana”. “A Bíblia passou mil anos, dezenas de gerações, a ser escrita, mas sempre sob a dominante de um Deus cruel, invejoso e insuportável. É uma loucura!”. Não existe nada de divino na Bíblia, nem no Corão. “O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!” Saramago sublinhou que “as guerras de religião estão na História, sabemos a tragédia que foram”. E considerou que as Cruzadas são um crime do Cristianismo, porque morreram milhares e milhares de pessoas, culpados e inocentes, ao abrigo da palavra de ordem "Deus o quer", tal como acontece hoje com a Jihad (Guerra Santa). Saramago lamenta que todo esse “horror” tenha feito em nome de “um Deus que não existe, nunca ninguém o viu”. “O teólogo Hans Kung disse sobre isto uma frase que considero definitiva, que as religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros. Só isto basta para acabar com isso de Deus”, afirmou. O escritor criticou também o conceito de inferno: "No Catolicismo os pecados são castigados com o inferno eterno. Isto é completamente idiota!”. “Nós, os humanos somos muito mais misericordiosos. Quando alguém comete um delito vai cinco, dez ou 15 anos para a prisão e depois é reintegrado na sociedade, se quer”, disse. “Mas há coisas muito mais idiotas, por exemplo: antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?”, perguntou. “Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca”.

O Mito de Jesus Cristo

A teoria do mito de Cristo (também conhecido como Jesus mítico ou a hipótese da inexistência de Jesus) é a ideia de que Jesus de Nazaré não era uma pessoa histórica, mas sim um personagem fictício ou mitológico criado pela comunidade cristã primitiva.[1][2][3][4] Alguns proponentes alegam que os eventos ou frases associados com a figura de Jesus no Novo Testamento podem ter sido elaborado a partir de uma ou mais pessoas que realmente existiram, mas que nenhum deles era em nenhum sentido o fundador do cristianismo.[5] Praticamente todos os estudiosos envolvidos com a pesquisa do Jesus histórico acreditam que sua existência pode ser estabelecida usando documentos e outras evidências, embora a maioria sustenta que muito do material sobre ele no Novo Testamento não deve ser tomado ao pé da letra.[6] A história da teoria do mito de Cristo pode ser atribuída aos pensadores do Iluminismo francês Constantin-François Volney e Charles François Dupuis na década de 1790. Proponentes notáveis ​​incluem Bruno Bauer e Arthur Drews, no século XX, e mais recentemente GA Wells, Alvar Ellegård e Robert M. Price. A ideia veio à atenção do público moderno através do trabalho de autores como Richard Dawkins, Christopher Hitchens e o filósofo francês Michel Onfray.[7] Argumentos utilizados para apoiar a teoria enfatizam a ausência de referências existentes sobre a vida de Jesus e da escassez de referências não cristãs no século I. Alguns proponentes alegam que o Cristianismo surgiu organicamente do Judaísmo helenístico e baseia-se em paralelos do Jesus histórico e dos deuses gregos, egípcios entre outros, especialmente aqueles que possuem mitos sobre a morte e ressurreição. Índice [esconder] 1 A teoria 2 Fundamentos desta teoria 2.1 Supostas semelhanças entre as divindades pagãs com Jesus Cristo 2.2 As fontes não-bíblicas 3 Bibliografia 4 Referências 5 Ver também A teoria[editar | editar código-fonte] A teoria do mito de Cristo (algumas vezes chamada o mito de Cristo, o mito de Jesus, ou hipótese de inexistência) é a afirmação de que Jesus de Nazaré não existiu como uma pessoa histórica, que o Jesus do cristianismo primitivo era a personificação de um ideal de salvador ou ser mítico, semelhantes em alguns aspectos a Krishna, Osíris e Mitra, a quem acontecimentos terrenos foram posteriormente anexados.[8] Os defensores de uma origem mítica do cristianismo, por vezes, permitem que algum material dos evangelhos pode ter sido extraído de um pregador histórico ou pregadores, mas que estes indivíduos não foram em nenhum sentido "os fundadores do cristianismo", mas alegam que o cristianismo surgiu organicamente do judaísmo helenístico. Os defensores da teoria traçam a evolução do cristianismo através de uma compreensão conjectural da evolução da literatura do Novo Testamento e, portanto, dão primazia às epístolas sobre os evangelhos para determinar os pontos de vista dos primeiros cristãos. A pessoa de Jesus, de acordo com essa tese, seria o resultado de uma elaboração teológica posterior, com o objetivo de construir uma base concreta para assegurar a difusão de uma nova religião. Segundo a teoria do mito de Cristo, o personagem de Jesus é, em parte, mítico ou imaginário. Quadro de Juan de Juanes, final do século XVI. Estes argumentos são desenvolvidos ao longo de duas linhas complementares de argumentação: por um lado, não há provas nem evidências arqueológicas que atestem a existência de Jesus de Nazaré: os textos cristãos não são confiáveis, e os textos não-cristãos são de autenticidade duvidosa ou podem ser um eco do discurso cristão; em segundo lugar, da identificação de evidências que podem sugerir ser um mito ou ficção. Todos relacionam de alguma forma a Igreja Católica e a religião judaica com a Astrologia e afirmam que criou-se o mito de Jesus para que as instituições religiosas pudessem ter poder social e econômico explorando o medo dos analfabetos do inferno. Os antecedentes da teoria podem ser rastreados até os pensadores do Iluminismo francês Constantin-François Volney e Charles François Dupuis na década de 1790. O primeiro acadêmico a defender tal tese foi o historiador do século XIX e teólogo Bruno Bauer e os proponentes como Arthur Drews foram notáveis em estudos bíblicos durante o início do século XX. Autores como George Albert Wells, Robert M. Price e Earl Doherty recentemente repopularizaram a teoria entre o público leigo. Fundamentos desta teoria[editar | editar código-fonte] Defensores dessa teoria afirmam que houve grande influência das religiões dos povos com as quais os judeus conviviam, ou seja, egípcios, persas, gregos e romanos. Exemplos: A história do salvador nascido de uma virgem e tentativas de matá-lo quando criança. Sua morte e ressurreição (em vários casos, no terceiro dia). Céu, inferno e juízo final (que não existiam no judaísmo original). Petra, no mitraísmo e no “Livro dos Mortos” egípcio, era o guardião das chaves do céu. O mitraísmo também denominava Petra a um rochedo considerado sagrado. A última ceia, frequentemente com uma bebida e um alimento que representavam o corpo e o sangue de Deus. A estrela guia, elemento frequente em lendas e mitologias antigas. Nascimentos de forma virginal, mortes por meio de sacrifícios, sangue que "purifica" e abençoa, ressurreições, e sua herança o amor incondicional ao Criador de todas as coisas; amor que se manifesta amando as criaturas. Supostas semelhanças entre as divindades pagãs com Jesus Cristo[editar | editar código-fonte] Ver artigo principal: Jesus nas comparações mitológicas De acordo com algumas fontes, se referem à teoria da ressurreição no terceiro dia com um período de três dias em que o Sol se mantém no lugar mais baixo e em 25 de dezembro está num ponto mais alto (como se diz que Jesus esteve morto por três dias e então ressuscitou), mas de acordo com o relato bíblico Jesus morreu durante a Páscoa judaica. Afirmam que os deuses do Sol muito anteriores a Jesus como Horus, Átis, Krishna, Mitra, Dionísio, Buda, todos eles, têm como elemento vital a sua crença na ressurreição no terceiro dia após as suas mortes, também tiveram discípulos que os acompanharam, faziam milagres e nasceram de uma Virgem Imaculada em 25 de dezembro. Segundo os defensores dessa Teoria, algumas destas lendas podem ter sofrido influência direta da história de Jesus, já que os cultos coexistiram com o cristianismo primitivo, mas certamente a imensa maioria surgiu milhares de anos antes do nascimento do mesmo. Entretanto, muitos acrescentam mais similaridades nos deuses antigos por conta própria para criar mais semelhanças. Tamuz: deus da Suméria e Fenícia, morreu com uma chaga no flanco e, três dias depois, levantou-se do túmulo e o deixou vazio com a pedra que o fechava a um lado. Belém era o centro do culto a Tamuz. Hórus - 3000 a.C.: Deus egípcio do Céu, do Sol e da Lua; Nasceu de Isis, de forma milagrosa, sem envolvimento sexual; Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro; Ressuscitou um homem de nome EL-AZAR-US; Um de seus títulos é "Krst" ou "Karast"; Lutou durante 40 dias no deserto contra as tentações de Set (divindade comparada a Satã); Batizado com água por Anup; Representado por uma cruz; A trindade Atom (o pai), Hórus (o filho) e Rá (comparado ao Espírito Santo). Mitra - séc. I a.C.: Originalmente um deus persa, mas foi adotado pelos romanos e convertido em deus Sol; Intermediário entre Ormuzd (Deus-Pai) e o homem; Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro; Nasceu de forma milagrosa, sem envolvimento sexual; Pastores vieram adorá-lo, com presentes como ouro e incenso; Viria livrar o mundo do seu irmão maligno, Ariman; Era considerado um professor e um grande mestre viajante; Era identificado com o leão e o cordeiro; Seu dia sagrado era domingo ("Sunday"), "Dia do Sol", centenas de anos antes de Cristo; Tinha sua festa no período que se tornou mais tarde a Páscoa cristã; Teve doze companheiros ou discípulos; Executava milagres; Foi enterrado em um túmulo e após três dias levantou-se outra vez; Sua ressurreição era comemorada cada ano. Átis (Frígia / Roma) - 1200 a.C.: Nasceu dia 25 de dezembro; Nasceu de uma virgem; Foi crucificado, morreu e foi enterrado; Ressuscitou no terceiro dia. Buda - séc. V a.C.: Sua missão de salvador do mundo foi profetizada quando ele ainda era um bebê; Por volta dos 30 anos inicia sua vida espiritual; Foi impiedosamente tentado pelas forças do mal enquanto jejuava; Caminhou sobre as águas (Anguttara Nikaya 3:60); Ensinava por meio de parábolas, inclusive uma sobre um "filho pródigo"; A partir de um pão alimentou 500 discípulos, e ainda sobrou (Jataka); Transfigurou-se em frente aos discípulos, com luz saindo de seu corpo; Após sua morte, ressuscitou (apenas na tradição chinesa). Baco / Dionísio - séc. II a.C.: Deus grego-romano do vinho; Nascido da virgem Sémele (que foi fecundada por Zeus); Quando criança, quiseram matá-lo; Fez milagres, como a transformação da água em vinho e a multiplicação dos peixes; Após a morte, ressuscitou; Era chamado de "Filho pródigo" de Zeus. Hércules - séc. II a.C.: Nascido da virgem Alcmena, que foi fecundada por Zeus; Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro; Foi impiedosamente tentado pelas forças do mal (Hera, a ciumenta esposa de Zeus); A causadora de sua morte (sua esposa) se arrepende e se mata enforcada. Estão presentes no momento de sua morte sua mãe e seu discípulo mais amado (Hylas); Sua morte é acompanhada por um terremoto e um eclipse do Sol; Após sua morte, ressuscitou, ascendendo aos céus. Krishna - 3228 a.C.: Trata-se de um avatar do Deus Vishnu – um avatar é como se fosse a personificação ou encarnação de um deus; Nasceu no dia 25 de dezembro; Nasceu de uma virgem, Devaki ("Divina"); Uma estrela avisou a sua chegada; É a segunda pessoa da trindade; Foi perseguido por um tirano que requisitou o massacre dos milhares dos infantes; Fez milagres; Em algumas tradições morreu em uma árvore; Após morrer, ressuscitou. Estas coincidências biográficas, segundo os defensores de "O Mito de Cristo", provam que os autores dos Evangelhos, ao escreverem as histórias de vida de Jesus, tomaram emprestados relatos e feitos de outros deuses antigos ou heróis. As fontes não-bíblicas[editar | editar código-fonte] Embora Flávio Josefo, Tácito, Suetônio e outros historiadores antigos sejam frequentemente citados como evidência de um Jesus histórico, de acordo com estes autores as histórias são derivadas, não originais. Josefo, o mais antigo desses autores, nasceu, no mínimo, cinco anos após a suposta morte de Jesus. Não há nenhum testemunho direto dos fatos. Além disso, os antigos relatos não-cristãos de Jesus foram escritos quando o Cristianismo já era generalizado e alguns parágrafos dos livros de Josefo são questionados, supondo-se que foram mais tarde interpolações cristãs. Bibliografia[editar | editar código-fonte] Massey, Gerald. The historical Jesus and the mythical Christ Bennett, Clinton (2001). In search of Jesus: insider and outsider images. [S.l.]: Continuum. ISBN 0826449158 Parâmetro desconhecido |ubicación= ignorado (|local=) sugerido (ajuda) Case, Shirley Jackson (1911). «The Historicity of Jesus an Estimate of the Negative Argument». The American Journal of Theology. 15 (1): 20-42 Conybeare, Frederick Cornwallis (1914) [1914]. The Historical Christ, or an investigation of the views of J.M. Robertson, A. Drews and W.B. Smith. London: [s.n.] Farmer, William R. (1975), «A Fresh Approach to Q», in: Neusner, Jacob, Christianity, Judaism and Other Greco-Roman Cults, Brill Gerrish, B. A. (1975). «Jesus, Myth, and History: Troeltsch's Stand in the "Christ-Myth" Debate». The Journal of Religion. 55 (1): 13-35 Goguel, Maurice (1926a) [1925]. Jesus the Nazarene: Myth or History?. London: T. Fisher Unwin. Consultado em 24 de julho de 2008 Goguel, Maurice (1926b). «Recent French Discussion of the Historical Existence of Jesus Christ». Harvard Theological Review. 19 (2): 115–142 Hoffmann, R. Joseph (2006). «Maurice Goguel and the 'Myth Theory' of Christian Origins». In: Maurice Goguel. Jesus the Nazarene: Myth or History?. translated by Frederick Stephens, with a new introduction by R. Joseph Hoffmann. [S.l.]: Prometheus. pp. 11–41. ISBN 1-59102-370-X Parâmetro desconhecido |ubicación= ignorado (|local=) sugerido (ajuda); Parâmetro desconhecido |enlaceautor= ignorado (|autorlink=) sugerido (ajuda) Robertson, John M. (1902). A Short History of Christianity. [S.l.]: Watts & Co. pp. 1–97. Consultado em 5 de agosto de 2008 Parâmetro desconhecido |ubicación= ignorado (|local=) sugerido (ajuda); Parâmetro desconhecido |enlaceautor= ignorado (|autorlink=) sugerido (ajuda) Schweitzer, Albert (2000) [1913]. The Quest of the Historical Jesus first complete edition ed. London: SCM. ISBN 0-334-02791-8 Solmsen, Friedrich (1970). «George A. Wells on Christmas in Early New Testament Criticism». Journal of the History of Ideas. 31 (2): 277–280 Parâmetro desconhecido |enlaceautor= ignorado (|autorlink=) sugerido (ajuda) Townsend, John T. (2006), «Christianity in Rabbinic Literature», in: Kalimi, Isaac, Biblical Interpretation in Judaism and Christianity, Continuum Van Voorst, Robert E. (2000). Jesus Outside the New Testament: An Introduction to the Ancient Evidence. [S.l.]: Eerdmans. ISBN 0-8028-4368-9 Parâmetro desconhecido |ubicación= ignorado (|local=) sugerido (ajuda); Parâmetro desconhecido |enlaceautor= ignorado (|autorlink=) sugerido (ajuda) Weaver, Walter P. (1999). The Historical Jesus in the Twentieth Century, 1900-1950. [S.l.]: Trinity. ISBN 1-56338-280-6 Parâmetro desconhecido |ubicación= ignorado (|local=) sugerido (ajuda) Wells, G. A. (1969). «Stages of New Testament Criticism». Journal of the History of Ideas. 30 (2). pp. 147–160 Parâmetro desconhecido |enlaceautor= ignorado (|autorlink=) sugerido (ajuda) Wells, G. A. (1973). «Friedrich Solmsen on Christian Origins». Journal of the History of Ideas. 34 (1): 143–144 Rosière C. J. A., O Mito Jesus - O Pantera Rosière C. J. A., O Mito Jesus - A Mulher sem Nome Rosière C. J. A., O Mito Jesus - A Linhagem

Taoismo

Taoismo > O Vazio dentro do Taoismo O Vazio dentro do Taoismo A cultura chinesa é uma das mais antigas da Terra e a única das grandes civilizações da antiguidade que possui história contínua, desde 7.000 a.C. até hoje de manhã, algo único. Descobertas arqueológicas como o Homem de Pequim mostram que a área onde se iniciou a civilização da China é habitada já há 800.000 anos. Essa grande antiguidade e relativa estabilidade cultural fizeram da cultura chinesa uma potência nos quesitos variedade e profundidade de seu pensamento. Infelizmente as maneiras como eles expressam esse conhecimento são diferentes das nossas, o que levou diversos especialistas ocidentais a menosprezarem este tesouro, alegando que no oriente existe apenas “religião” e “crenças”. Nada mais longe da verdade. O Taoismo, em particular, é digno de profundos estudos. Não apenas é uma filosofia autóctone da China como tornou-se posteriormente a única religião nascida em solo chinês, já que o Budismo é indiano e o Confucionismo não é religião. Dentro dos conceitos mais importantes da filosofia chinesa e do Taoísmo em particular, um que se destaca é o “vazio”. A importância do vazio nunca foi subestimada pelos chineses, que afirmavam que tudo o que existe só possui essa realidade porque um espaço vazio permitiu que existisse. O filósofo grego Demócrito (460 a.C.-370 a.C.) foi o primeiro ocidental a chamar a atenção para o vazio ao afirmar que no Universo "há apenas átomos e vazio". Os chineses foram além ao afirmarem que a própria existência do universo dependeu da existência de um vazio original, chamado de Vazio Primordial. Para nosso universo existir foi necessário que houvesse um vazio que o pudesse conter, pois nada poderia existir sem um espaço para que existisse. Esse vazio primordial é chamado em chinês de wuji (無極, “vazio supremo”), e faz parte dos conceitos cosmológicos chineses principais. É um termo muitas vezes utilizado para se definir o infinito, o que não tem limites, e também um estado de vacuidade absoluta, não representado apenas pela ausência de tudo, mas uma vacuidade que tende à transcendência já que é a matriz de tudo o que existe. A cultura chinesa tradicional possui seus mitos de criação, como do “Ovo de Pangu”, mas para os taoístas, o Universo, compreendendo tudo o que existe, nasceu de uma grande explosão repentina que reverberou no vazio primordial. Qualquer semelhança com a ideia do “Big Bang” não é mera coincidência. Após a explosão o universo cresceu, de maneira expansiva, tornando-se o que conhecemos hoje. Mas para que ele exista e continue se expandindo (os chineses acreditam nisso, também) é necessário que tenha havido um espaço vazio anterior, que pudesse comportá-lo – o Wuji. A existência depende inteiramente da não-existência que a precede. Na vida cotidiana, em nossa escala normal, também o vazio possui grande importância. Laozi já afirmava no capítulo 11 do Tao Te Ching: Trinta raios convergem ao vazio do centro da roda Através dessa não-existência Existe a utilidade do veículo A argila é trabalhada na forma de vasos Através da não-existência Existe a utilidade do objeto Portas e janelas são abertas na construção da casa Através da não-existência Existe a utilidade da casa Assim, da existência vem o valor E da não-existência, a utilidade Laozi nos mostra que um vaso pode ser feito de diversos materiais e possuir muitas decorações, mas é o vazio em seu interior que o torna útil. Um vaso de ouro é muito mais valioso que um feito de barro, mas a utilidade dos dois é a mesma e depende inteiramente do vazio interno. Da mesma forma uma roda de carroça não serviria para nada sem o espaço para se encaixar o eixo. Um cômodo de uma habitação sem portas ou janelas não poderia ser utilizado. Nos seres humanos também o vazio é imprescindível. Não existiríamos sem o espaço vazio que há na mulher, que chamamos “útero”. É ele que permite ao embrião crescer e tornar-se uma nova pessoa. É comum que o vazio é que dê substância e vida à pintura chinesa, podendo se tornar um rio, um lago, a névoa, dependendo da visão do artista, que se utiliza deste espaço em branco para expressar sua sensibilidade. Apesar de ser uma não-existência, o vazio surge como algo quase tangível em um processo de cognição espacial sem igual. Nas artes marciais e técnicas terapêuticas chinesas como o Qigong, o movimento começa a partir de uma postura em pé, com os braços pendendo naturalmente ao lado do corpo, relaxada, com a mente livre de pensamentos e o olhar focado no infinito. É o estado de Wuji, do qual partem os movimentos. No caso do Taijiquan, as formas começam e terminam na postura de Wuji. Devemos procurar nos familiarizar com o vazio em nossas vidas. O vazio de ruído, o vazio de pessoas em volta, o vazio de pensamentos tumultuados, o vazio de celulares e redes sociais. Somente a partir do vazio podemos começar a ouvir o Tao.

Inteligência Artificial - Ciência do impossível

Se você realiza no dia a dia tarefas como procurar um termo no Google ou acessar a melhor rota no trânsito, é sinal de que a Inteligência Artificial já faz parte da sua vida. Embora o nome remeta aos filmes de ficção científica, essa tecnologia avançada vem sendo utilizada cada vez mais para otimizar processos e gerenciar interações online em uma infinidade de aplicações diferentes, mas todas eficientes. E algumas impressionantes. A Inteligência Artificial é uma sofisticada programação que possibilita às máquinas analisarem uma quantidade gigante de dados em poucos segundos, identificar padrões e sugerir resultados ou ações. Nos últimos anos, essa técnica evoluiu ainda mais, possibilitando que estes computadores também estabeleçam novas conexões à medida que recebem mais dados. Em linhas gerais, quanto mais é utilizado, mais esperto ele fica. Um exemplo de aplicação que acompanha muitas pessoas em todas as suas atividades são os assistentes digitais inteligentes, como Siri, da Apple, Cortana, da Microsoft, e Google Assistant. Programados para reconhecer instruções de voz, respondem a perguntas, pesquisam tudo o que você precisar saber e conectam a serviços e aplicativos integrados. Segundo alguns usuários acostumados ao bate-papo diário, também fazem companhia, mas é recomendável não se apegar! É um robô, lembra? Saiba mais sobre os assistentes digitais: Grandes empresas já identificaram o potencial da Inteligência Artificial e investem em inovação, com boas chances de revolucionar áreas de conhecimento. Com seus próprios projetos ambiciosos em segmentos como saúde e segurança, cinco das maiores corporações mundiais de tecnologia – Google, Microsoft, Facebook, Amazon e IBM – uniram forças e criaram a Partnership on AI , associação dedicada a estudar as melhores práticas e atuar como plataforma aberta para debater e impulsionar as iniciativas. Com tanta demanda, começa a faltar profissionais especializados e já surgem graduações específicas – inclusive virtuais. Há cursos gratuitos de introdução na web, como o do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Já a Udacity, universidade online criada por professores da Universidade de Stanford e apoiada por gigantes como Google, AT&T e Facebook, oferece o “Nanodegree” para Engenheiro de Inteligência Artificial. A chamada do curso já define bem o que a Inteligência Artificial significa para a era moderna: “aprenda a construir o impossível”.

Fim da causalidade: eventos quânticos independem do espaço e do tempo

Redação do Site Inovação Tecnológica - 01/02/2013 Fim da causalidade: eventos quânticos independem do espaço e do tempo Não poderia haver troca de informação entre os dois fótons do experimento sem violar o limite de velocidade máxima do Universo, a velocidade da luz. [Imagem: IQOQI/Vienna] Causa sem efeito, efeito sem causa Há cerca de dois meses, físicos demonstraram que causa e efeito não são coisas tão claras no mundo da mecânica quântica. O trio propôs que existem situações nas quais um evento pode ser tanto a causa quanto o efeito de outro, quebrando a tão conhecida "lei de causa e efeito". Causalidade quântica questiona sequência de causa e efeito Mas se você acha os experimentos mentais abstratos demais, então vai se dar melhor com um experimento real, uma experiência feita em laboratório que acaba de ser anunciada por físicos da Universidade de Viena, na Áustria. Xiao-Song Ma e seus colegas mostraram na prática uma situação em que é impossível descrever a causalidade entre dois eventos correlacionados, ou seja, um afeta o outro, mas é impossível dizer o que é a causa e o que é o efeito. Interpretações da física quântica A interpretação mais aceita da física quântica, chamada interpretação de Copenhague, estabelece que as propriedades de um objeto quântico dependem dos aparelhos e da forma como esse objeto é medido - ele poderá revelar-se como uma onda ou como uma partícula. Outro fenômeno bem conhecido é o entrelaçamento quântico, ou emaranhamento, pelo qual uma partícula quântica que compartilhe propriedades com outra é afetada instantaneamente por qualquer coisa que aconteça com a primeira, mesmo que elas sejam levadas para lados opostos da galáxia. Embora apenas em princípio, em ambos os casos ainda se pode falar em causalidade, no sentido de que uma partícula influencia a outra ou o aparato de medição influencia a partícula. Agora, os físicos mostraram como a medição de uma partícula - um fóton de luz - é afetada não pela medição feita nela própria, mas pela medição feita em um segundo fóton. Em outras palavras, o fóton se comporta como partícula ou como onda dependendo da medição feita em um segundo fóton que está tão distante do primeiro que não poderia haver troca de informação entre os dois sem violar o limite de velocidade máxima do Universo, a velocidade da luz. Fim da causalidade: eventos quânticos independem do espaço e do tempo s físicos mostraram como a medição de uma partícula - um fóton de luz - é afetada não pela medição feita nela própria, mas pela medição feita em um segundo fóton. [Imagem: Ma et al./Pnas] Independentes do espaço e do tempo Os cientistas afirmam que o experimento não é suficiente para derrubar nenhum pilar da física, mas que é impossível dar uma explicação clara do que ocorre em termos de causalidade - nem mesmo "em princípio" ou por meio de outros experimentos mentais. O primeiro fóton estava no laboratório em Viena, enquanto o segundo estava nas Ilhas Canárias, mas a "manifestação" como onda ou como partícula do fóton em Viena depende sempre da medição feita nas Ilhas Canárias. "Nosso trabalho refuta a visão de que um sistema quântico possa, em um determinado ponto no tempo, aparecer definitivamente como uma onda ou definitivamente como uma partícula. Isso exigiria uma comunicação mais rápida do que a velocidade da luz - o que está em confronto direto com a teoria da relatividade de Einstein," disse Anton Zeilinger, coordenador dos experimentos. "Assim, acreditamos que essa visão deve ser abandonada completamente. Em certo sentido, eventos quânticos são independentes do espaço e do tempo," conclui o pesquisador. Influências escondidas podem existir além do espaço-tempo