Pedro ℗ -.
Primeiro, Deus é o campeão em arrependimento:
Geneses 6: 6 Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração.
Exodo 32: 14 Então o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo.
I Samuel 15: 11 Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir, e não cumpriu as minhas palavras.
I Samuel 15: 35 (...) E o SENHOR se arrependeu de haver posto a Saul rei sobre Israel.
Jeremias 26: 19 (...) E o SENHOR não se arrependeu do mal que falara contra eles?
Jeremias 42: 10 (...) porque estou arrependido do mal que vos tenho feito.
Segundo a bíblia, Deus se CANSA:
Exodo 31: 17 (...) porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se.
Isaias 1: 14 As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer
Isaias 43: 24 Não me compraste por dinheiro cana aromática, nem com a gordura dos teus sacrifícios me satisfizeste, mas me deste trabalho com os teus pecados, e me cansaste com as tuas iniqüidades
Ok, o tal Deus se arrepende e se cansa, certo, mas as duas coisas juntas??!! Pode isso?! Rsrs
Jeremias 15:6 Tu me deixaste, diz o SENHOR, e tornaste-te para trás; por isso estenderei a minha mão contra ti, e te destruirei; já estou cansado de me arrepender.
Segundo a bíblia, Deus também se ENFADA:
Malaquias 2: 17 Enfadais ao SENHOR com vossas palavras; e ainda dizeis: Em que o enfadamos? Nisto que dizeis: Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do SENHOR, e desses é que ele se agrada, ou, onde está o Deus do juízo?
Talvez seja por isso que, segundo a bíblia, Deus DORME:
Salmos 78: 65 Então o Senhor despertou, como quem acaba de dormir, como um valente que se alegra com o vinho.
Salmos 44: 23 Desperta, por que dormes, Senhor? Acorda, não nos rejeites para sempre
Segundo a bíblia, Deus tem alma e é impaciente:
Zacarias 11: 8 E destruí os três pastores num mês; porque a minha alma se impacientou deles, e também a alma deles se enfastiou de mim.
E o tal Deus também fica Indignado:
Salmos 18: 7 Então a terra se abalou e tremeu; e os fundamentos dos montes também se moveram e se abalaram, porquanto se indignou.
Isaias 34: 2 Porque a indignação do SENHOR está sobre todas as nações, e o seu furor sobre todo o exército delas; ele as destruiu totalmente, entregou-as à matança.
Jeremias 30: 23 Eis que a tempestade do SENHOR, a sua indignação, já saiu; uma tempestade varredora, cairá cruelmente sobre a cabeça dos ímpios.
Zacarias 8: 2 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Zelei por Sião com grande zelo, e com grande indignação zelei por ela.
Quando ficamos indignados o que fazemos? Reclamamos. Deus também pode reclamar, olha que legal!
Salmos 40: 6 Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.
Malaquias 3: 8 Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.
E ele fica Irado também, nem que seja por um tempinho:
Salmos 30: 5 Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
Jeremias 3: 12 Vai, pois, e apregoa estas palavras para o lado norte, e dize: Volta, ó rebelde Israel, diz o SENHOR, e não farei cair a minha ira sobre ti; porque misericordioso sou, diz o SENHOR, e não conservarei para sempre a minha ira.
Miqueias 7: 18 Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade.
Mas a bíblia se contradiz e diz que sua ira do senhor pode durar muito tempo:
Jeremias 17: 4 Assim por ti mesmo te privarás da tua herança que te dei, e far-te-ei servir os teus inimigos, na terra que não conheces; porque o fogo que acendeste na minha ira arderá para sempre.
Malaquias 1: 4 Ainda que Edom diga: Empobrecidos estamos, porém tornaremos a edificar os lugares desolados; assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eles edificarão, e eu destruirei; e lhes chamarão: Termo de impiedade, e povo contra quem o SENHOR está irado para sempre.
Sabe o que você deve fazer quando Deus ficar Irado? Ande nu. Rsrs
Amos 2: 16 E o mais corajoso entre os fortes fugirá nu naquele dia, diz o SENHOR.
Não bastasse apenas a Ira, Deus também fica furioso:
Ezequiel 25: 17 E executarei sobre eles grandes vinganças, com furiosos castigos, e saberão que eu sou o SENHOR, quando eu tiver exercido a minha vingança sobre eles
E vocês querem saber mais?? Ele pode ter, de uma so vez, esses 3 sentimentos citados anteriormente:
JEREMIAS 21: 5 E eu pelejarei contra vós com mão estendida e com braço forte, e com ira, e com indignação e com grande furo
O Que eu nunca ouvi falar foi um Deus supremo poder ser tentado...
Deuteronomio 6: 16 Não tentareis o SENHOR vosso Deus, como o tentastes em Massá;
Malaquias 3: 15 Ora, pois, nós reputamos por bem-aventurados os soberbos; também os que cometem impiedade são edificados;sim, eles tentam a Deus, e escapam
Atos 15: 10 Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?
O Deus é ciumento de vez em quando...
OSÉIAS 2:13 Castigá-la-ei pelos dias dos Baalins, nos quais lhes queimou incenso, e se adornou dos seus pendentes e das suas jóias, e andou atrás de seus amantes, mas de mim se esqueceu, diz o SENHOR.
E por ultimo, o que eu mais gostei...
Deus Lamenta... e como ele reage? Geme e anda nu!!! rsrs
Miqueias 8 Por isso lamentarei, e gemerei, andarei despojado e nu; farei lamentação como de chacais, e pranto como de avestruzes.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
« Os dez sintomas de uma pessoa iludida
O fim da Aposta de Pascal: porque a descrença é a aposta mais segura
28 28UTC junho 28UTC 2011 por SotnasPG
No século XVII o matemático Blaise Pascal formulou seu infame argumento pragmático a favor da crença em Deus em sua obra “Pensées”. O argumento funciona da seguinte maneira:
Se você erroneamente acredita que Deus existe, você não perde nada (supondo que a morte é o fim absoluto), ao passo que se você acredita corretamente que Deus existe, você ganha tudo (eterna bem-aventurança). Mas se você, corretamente, não acredita que Deus existe, você não ganha nada (a morte termina tudo), ao passo que se você, erroneamente, não acredita que Deus existe, você perde tudo (danação eterna).
Como você deveria apostar? Independentemente de qualquer evidência contra ou a favor da existência de Deus, Pascal argumentou que o fracasso em aceitar a existência de Deus acarreta o risco de perder tudo sem chance de recuperar qualquer coisa. A melhor aposta, portanto, é aceitar a existência de Deus. Inúmeras objeções tem sido apresentadas contra a aposta: que uma pessoa não pode simplesmente decidir acreditar em algo que para ela é patentemente falso; que a aposta se aplicaria tanto à crença no Deus errado quanto à descrença em todos os deuses, deixando o crente em qualquer deus em particular na mesma situação do ateu e do agnóstico; que Deus não recompensaria a crença nele baseada unicamente numa aposta segura; e por aí vai.
Richard Carrier, historiador americano e ex-editor-chefe do Internet Infidels, constrói um argumento, quase uma piada, mas de uma lógica impecável, que refuta definitivamente a célebre aposta.
O Fim da Aposta de Pascal: Somente Não-Teístas vão para o Céu
2002
Argumento 1: Quem vai para o céu?
É uma crença comum que somente os moralmente bons deveriam habitar o céu, e esta é uma crença razoável, amplamente defendida por teístas das mais variadas denominações. Suponha que exista um deus que está nos vigiando e selecionando quais almas dos falecidos levar para o céu, e este deus realmente deseja que somente os moralmente bons povoem o paraíso. Ele provavelmente selecionará somente dentre aqueles que se empenharam de maneira significativa e responsável em descobrir a verdade. Pois todos os outros são indignos de confiança, sendo cogntiva ou moralmente inferiores, ou ambos. Também será menos provável que estes últimos alguma vez descubram e se comprometam com crenças verdadeiras sobre o certo e o errado. Isto é, se eles possuem uma preocupação genuína e significativa em fazer o que é certo e se absterem do erro, segue-se necessariamente que eles devem possuir um interesse significativo e honesto em conhecer o certo e o errado. Uma vez que este conhecimento exige conhecimento sobre vários fatos fundamentais acerca do universo (como, por exemplo, se existe um deus), segue-se necessariamente que tais pessoas devem se comprometer de maneira honesta e significativa em buscar, verificar e confirmar a correção de suas crenças acerca de tais assuntos. Logo, somente tais pessoas podem ser morais e confiáveis o bastante para merecer um lugar no Céu — a menos que deus deseje atulhar o paraíso com gente moralmente preguiçosa, irresponsável ou indigna de confiança.
Mas somente dois grupos se encaixam nessa descrição: teístas intelectualmente comprometidos mas críticos, e não-teístas igualmente comprometidos mas críticos (o que abraange tanto ateus quanto agnósticos, humanistas seculares mais especificamente, no sentido mais básico). Ambos os grupos possuem um compromisso honesto e significativo com a busca, a verificação e a confirmação da correção de suas crenças sobre deus (por exemplo); de maneira que suas crenças sobre o certo e o errado provavelmente serão corretas. Nenhum outro grupo pode reivindicar isto. Qualquer um que esteja sinceramente interessado em distinguir entre o certo e o errado deve estar arduamente empenhado em descobrir se certas afirmações são verdadeiras, incluindo “Deus existe”, e deve tratar esse assunto com tanta dedicação e responsabilidade quanto qualquer outra questão moral. E os únicos dois tipos de pessoas que fazem isso são aqueles teístas e não-teístas que devotam suas vidas a examinar os fatos e determinar se estão corretos.
Argumento 2: Por que este mundo?
É uma crença comum que certos mistérios, como males inexplicados no mundo e o silêncio de Deus, são explicáveis como um teste, e esta é uma crença razoável, amplamente defendida por teístas das mais variadas denominações. Afinal, se nenhum teste fosse necessário, então Deus poderia e deveria, como resultado de sua compaixão e perfeita eficiência, simplesmente selecionar os candidatos ao nascer e dispensar qualquer vida real neste mundo, já que Deus conheceria de imediato seus méritos.
O livre-arbítrio não pode refutar esta conclusão, já que se Deus não pode nos conhecer porque podemos livremente nos alterar por completo, então Deus não pode ocupar o céu com pessoas confiáveis: pois qualquer um no céu pode através de um ato livre, inesperado e espontâneo efetuar um ato maligno ou tornar-se maligno. E, dada uma eternidade, é altamente provável que a maioria da população celeste fará alguma coisa ruim. Tudo considerado, se o livre-arbítrio for um obstáculo ao propósito divino, então Deus não pode prever quem irá ou não fazer o mal e assim ele não pode separar aqueles que serão eternamente bons daqueles que não serão, a não ser por algum tipo de teste indutivo.
Uma vez que aqueles que serão eternamente bons devem naturalmente ser raros em comparação com o conjunto de pessoas aparentando ser boas no momento de suas mortes, segue-se que, na ausência de um teste indutivo confiável, a maior parte da população celeste não será genuinamente boa. Disso resulta que um Deus que deseje melhores resultados provavelmente distinguiria os genuinamente bons, e portanto dignos, dos indignos e desonestos, sujeitando todos os candidatos a um teste confiável, e seria razoável concluir que este mundo existe somente para esta finalidade.
Argumento 3: Não há Deus ou há um Deus maligno
Se demonstrado com fortes evidências que um deus deve ser ou maligno ou inexistente, uma pessoa genuinamente boa não acreditará em tal deus, ou, se acreditar, não dará um parecer favorável a tal deus ( por meio de adoração ou outras demonstrações de aprovação, já que os bons não aprovam o mal). A maioria dos teístas não negam isto, preferindo negar que a evidência seja forte. Mas parece irrefutável que existem evidências poderosas de que deus deve ou ser malévolo ou inexistir.
Por exemplo, na Bíblia Abraão desfaz-se de sua humanidade e de sua moralidade quando Deus ordena que ele mate seu filho Isaque, e Deus o recompensa por colocar a lealdade acima da moralidade. Isto provavelmente é ruim — um deus bom imaginaria que Abraão renunciaria ao medo e à lealdade e colocaria a compaixão em primeiro lugar e se recusaria a cometer um ato de maldade, e o recompensaria por isso, não pela submissão. De maneira similar, Deus deliberada e inescrupulosamente infligiu tormentos e injustiças sobre Jó e sua família apenas para vencer um debate com Satanás. Isto provavelmente é ruim — nenhum bom deus causaria tantos danos por tão trivial mesquinharia, muito menos preferiria o sofrimento humano face ao desafio provocativo de um mero anjo. E então Deus justifica estas injustiças a Jó alegando ser capaz de fazer o que quiser, de fato dizendo que está além da moralidade. Isto provavelmente é ruim — um bom deus nunca afirmaria estar além do bem e do mal. E o mesmo vale para todos os massacres genocidas e injunções bárbaras ordenadas por Deus na Bíblia. Então há todos os males naturais no mundo (como doenças e terremotos) e todas as maldades humanas não impedidas (por exemplo, deus não move uma palha para deter criminosos ou impedir crimes hediondos, etc). Somente um Deus malévolo provavelmente permitiria tais coisas.
Argumento 4: O Teste
Dos dois grupos abraangendo os candidatos viáveis a habitantes do céu, somente não-teístas reconhecem ou admitem que esta evidência implica fortemente que Deus deve ser malévolo ou inexistente. Consequentemente, somente a resposta dos não-teístas corresponde à esperada para pessoas moralmente boas. Isto é, uma pessoa moralmente boa será critica e intelectualmente responsável acerca da aquisição de crenças verdadeiras, e colocará este compromisso com a virtude moral acima de todas os outros interesses, especialmente aqueles que podem corromper ou comprometer a bondade moral, como a fé ou a lealdade. Assim, aqueles que são genuinamente merecedores do céu muito provavelmente se tornarão não-teístas, uma vez que sua investigação será responsável e portanto completa, e colocará suas preocupações morais acima de todas as outras. Eles então se defrontarão com os fatos inegáveis relativos a todos estes males inexplicados (na Bíblia e no mundo) e concluir que Deus deve provavelmente ser maligno ou inexistente.
Em outras palavras, aceitar tais males sem que uma justificativa seja dada (como o silêncio de Deus implica) indica um compromisso insuficiente com a aquisição de crenças verdadeiras. Mas demonstrar a coragem de manter a descrença face a ameaças de punição eterna no inferno ou de destruição definitiva e absoluta, bem como de inúmeras formas de pressão social e outros fatores adversos, é exatamente o comportamento que um deus esperaria dos genuinamente bons, em vez da submissão à vontade de um ser maligno, ou uma confiança ingênua e injustificada na bondade de um ser aparentemente maligno — esses não são comportamentos esperados de pessoas genuinamente boas.
Por conseguinte somente os não-teístas intelectualmente comprometidos mas críticos são genuinamente virtuosos e irão para o céu. Portanto, se deus existe, seu silêncio e tolerância para com o mal ( no mundo e na bíblia) são explicados e justificados por seu plano de descobrir as únicas classes de pessoas que merecem habitar o céu: não-teístas sinceros. E isto torna perfeitamente compreensíveis vários mistérios, explicando, assim, o que os teístas lutam e se debatem e se contorcem e se atormentam para explicar para si próprios.
* O ocultamento divino é necessário nesta explicação, uma vez que sua presença inspiraria as pessoas a se comportarem moralmente por medo ou motivadas por interesses egoístas, não por coragem ou compaixão ou um senso de integridade pessoal.
* Uma imagem falsa e malévola de Deus na Bíblia é necessária a fim de testar se o leitor colocará a moralidade ou a fé no topo de sua escala de valores, constituindo-se num teste para a coragem moral frente a afirmações, ameaças e promessas de recompensa. Também testa a confiabilidade cognitiva, já que é errado confiar mais na mera palavra escrita de alguém do que em verdades cientificamente estabelecidas e na evidência direta da razão e dos sentidos.
*Males naturais e maldades humanas não impedidas também são necessários nessa explicação, uma vez que apenas desta maneira pode um deus “demonstrar” que não existe nenhuma força moral por trás do universo, que não há nenhum zelador, e por este meio induzir observador racional e comprometido a concluir que não existe nenhuma divindade. Se o universo fosse bem-ordenado, com constrangimentos morais inerentes e a contenção ou restrição de males, os obervadores poderiam concluir que há um deus; assim, mais uma vez, poderiam agir corretamente por medo ou pela esperança de recompensa.
A única maneira de verdadeiramente testar os seres humanos é observar se eles se tornarão não-teístas após sérias e sinceras investigações a respeito destes temas: verificar se temos a coragem e a força moral para escolher a moralidade acima da fé ou da lealdade, e de sermos bons sem medo ou esperança de retribuição divina. Nenhum outro teste garantirá um resultado com os genuinamente bons sendo auto-selecionados num previsível estado de crença que pode ser observado secretamente por Deus.
Conclusão: Como isto explica com facilidade e abraangência todos os inexplicáveis problemas com deus (como o ocultamento divino e a aparente falta de sentido de alguns males), ao passo que outras teologias não o fazem ( ou no mínimo não tão bem), segue-se que esta análise é provavelmente uma interpretação melhor de toda a evidência disponível do que qualquer teologia em contrário. Uma vez que esta conclusão contradiz a conclusão de todas as formulações da Aposta de Pascal, segue-se que a Aposta de Pascal não pode convencer ninguém da existência de Deus ou que a crença em Deus é a melhor aposta.
O fim da Aposta de Pascal: porque a descrença é a aposta mais segura
28 28UTC junho 28UTC 2011 por SotnasPG
No século XVII o matemático Blaise Pascal formulou seu infame argumento pragmático a favor da crença em Deus em sua obra “Pensées”. O argumento funciona da seguinte maneira:
Se você erroneamente acredita que Deus existe, você não perde nada (supondo que a morte é o fim absoluto), ao passo que se você acredita corretamente que Deus existe, você ganha tudo (eterna bem-aventurança). Mas se você, corretamente, não acredita que Deus existe, você não ganha nada (a morte termina tudo), ao passo que se você, erroneamente, não acredita que Deus existe, você perde tudo (danação eterna).
Como você deveria apostar? Independentemente de qualquer evidência contra ou a favor da existência de Deus, Pascal argumentou que o fracasso em aceitar a existência de Deus acarreta o risco de perder tudo sem chance de recuperar qualquer coisa. A melhor aposta, portanto, é aceitar a existência de Deus. Inúmeras objeções tem sido apresentadas contra a aposta: que uma pessoa não pode simplesmente decidir acreditar em algo que para ela é patentemente falso; que a aposta se aplicaria tanto à crença no Deus errado quanto à descrença em todos os deuses, deixando o crente em qualquer deus em particular na mesma situação do ateu e do agnóstico; que Deus não recompensaria a crença nele baseada unicamente numa aposta segura; e por aí vai.
Richard Carrier, historiador americano e ex-editor-chefe do Internet Infidels, constrói um argumento, quase uma piada, mas de uma lógica impecável, que refuta definitivamente a célebre aposta.
O Fim da Aposta de Pascal: Somente Não-Teístas vão para o Céu
2002
Argumento 1: Quem vai para o céu?
É uma crença comum que somente os moralmente bons deveriam habitar o céu, e esta é uma crença razoável, amplamente defendida por teístas das mais variadas denominações. Suponha que exista um deus que está nos vigiando e selecionando quais almas dos falecidos levar para o céu, e este deus realmente deseja que somente os moralmente bons povoem o paraíso. Ele provavelmente selecionará somente dentre aqueles que se empenharam de maneira significativa e responsável em descobrir a verdade. Pois todos os outros são indignos de confiança, sendo cogntiva ou moralmente inferiores, ou ambos. Também será menos provável que estes últimos alguma vez descubram e se comprometam com crenças verdadeiras sobre o certo e o errado. Isto é, se eles possuem uma preocupação genuína e significativa em fazer o que é certo e se absterem do erro, segue-se necessariamente que eles devem possuir um interesse significativo e honesto em conhecer o certo e o errado. Uma vez que este conhecimento exige conhecimento sobre vários fatos fundamentais acerca do universo (como, por exemplo, se existe um deus), segue-se necessariamente que tais pessoas devem se comprometer de maneira honesta e significativa em buscar, verificar e confirmar a correção de suas crenças acerca de tais assuntos. Logo, somente tais pessoas podem ser morais e confiáveis o bastante para merecer um lugar no Céu — a menos que deus deseje atulhar o paraíso com gente moralmente preguiçosa, irresponsável ou indigna de confiança.
Mas somente dois grupos se encaixam nessa descrição: teístas intelectualmente comprometidos mas críticos, e não-teístas igualmente comprometidos mas críticos (o que abraange tanto ateus quanto agnósticos, humanistas seculares mais especificamente, no sentido mais básico). Ambos os grupos possuem um compromisso honesto e significativo com a busca, a verificação e a confirmação da correção de suas crenças sobre deus (por exemplo); de maneira que suas crenças sobre o certo e o errado provavelmente serão corretas. Nenhum outro grupo pode reivindicar isto. Qualquer um que esteja sinceramente interessado em distinguir entre o certo e o errado deve estar arduamente empenhado em descobrir se certas afirmações são verdadeiras, incluindo “Deus existe”, e deve tratar esse assunto com tanta dedicação e responsabilidade quanto qualquer outra questão moral. E os únicos dois tipos de pessoas que fazem isso são aqueles teístas e não-teístas que devotam suas vidas a examinar os fatos e determinar se estão corretos.
Argumento 2: Por que este mundo?
É uma crença comum que certos mistérios, como males inexplicados no mundo e o silêncio de Deus, são explicáveis como um teste, e esta é uma crença razoável, amplamente defendida por teístas das mais variadas denominações. Afinal, se nenhum teste fosse necessário, então Deus poderia e deveria, como resultado de sua compaixão e perfeita eficiência, simplesmente selecionar os candidatos ao nascer e dispensar qualquer vida real neste mundo, já que Deus conheceria de imediato seus méritos.
O livre-arbítrio não pode refutar esta conclusão, já que se Deus não pode nos conhecer porque podemos livremente nos alterar por completo, então Deus não pode ocupar o céu com pessoas confiáveis: pois qualquer um no céu pode através de um ato livre, inesperado e espontâneo efetuar um ato maligno ou tornar-se maligno. E, dada uma eternidade, é altamente provável que a maioria da população celeste fará alguma coisa ruim. Tudo considerado, se o livre-arbítrio for um obstáculo ao propósito divino, então Deus não pode prever quem irá ou não fazer o mal e assim ele não pode separar aqueles que serão eternamente bons daqueles que não serão, a não ser por algum tipo de teste indutivo.
Uma vez que aqueles que serão eternamente bons devem naturalmente ser raros em comparação com o conjunto de pessoas aparentando ser boas no momento de suas mortes, segue-se que, na ausência de um teste indutivo confiável, a maior parte da população celeste não será genuinamente boa. Disso resulta que um Deus que deseje melhores resultados provavelmente distinguiria os genuinamente bons, e portanto dignos, dos indignos e desonestos, sujeitando todos os candidatos a um teste confiável, e seria razoável concluir que este mundo existe somente para esta finalidade.
Argumento 3: Não há Deus ou há um Deus maligno
Se demonstrado com fortes evidências que um deus deve ser ou maligno ou inexistente, uma pessoa genuinamente boa não acreditará em tal deus, ou, se acreditar, não dará um parecer favorável a tal deus ( por meio de adoração ou outras demonstrações de aprovação, já que os bons não aprovam o mal). A maioria dos teístas não negam isto, preferindo negar que a evidência seja forte. Mas parece irrefutável que existem evidências poderosas de que deus deve ou ser malévolo ou inexistir.
Por exemplo, na Bíblia Abraão desfaz-se de sua humanidade e de sua moralidade quando Deus ordena que ele mate seu filho Isaque, e Deus o recompensa por colocar a lealdade acima da moralidade. Isto provavelmente é ruim — um deus bom imaginaria que Abraão renunciaria ao medo e à lealdade e colocaria a compaixão em primeiro lugar e se recusaria a cometer um ato de maldade, e o recompensaria por isso, não pela submissão. De maneira similar, Deus deliberada e inescrupulosamente infligiu tormentos e injustiças sobre Jó e sua família apenas para vencer um debate com Satanás. Isto provavelmente é ruim — nenhum bom deus causaria tantos danos por tão trivial mesquinharia, muito menos preferiria o sofrimento humano face ao desafio provocativo de um mero anjo. E então Deus justifica estas injustiças a Jó alegando ser capaz de fazer o que quiser, de fato dizendo que está além da moralidade. Isto provavelmente é ruim — um bom deus nunca afirmaria estar além do bem e do mal. E o mesmo vale para todos os massacres genocidas e injunções bárbaras ordenadas por Deus na Bíblia. Então há todos os males naturais no mundo (como doenças e terremotos) e todas as maldades humanas não impedidas (por exemplo, deus não move uma palha para deter criminosos ou impedir crimes hediondos, etc). Somente um Deus malévolo provavelmente permitiria tais coisas.
Argumento 4: O Teste
Dos dois grupos abraangendo os candidatos viáveis a habitantes do céu, somente não-teístas reconhecem ou admitem que esta evidência implica fortemente que Deus deve ser malévolo ou inexistente. Consequentemente, somente a resposta dos não-teístas corresponde à esperada para pessoas moralmente boas. Isto é, uma pessoa moralmente boa será critica e intelectualmente responsável acerca da aquisição de crenças verdadeiras, e colocará este compromisso com a virtude moral acima de todas os outros interesses, especialmente aqueles que podem corromper ou comprometer a bondade moral, como a fé ou a lealdade. Assim, aqueles que são genuinamente merecedores do céu muito provavelmente se tornarão não-teístas, uma vez que sua investigação será responsável e portanto completa, e colocará suas preocupações morais acima de todas as outras. Eles então se defrontarão com os fatos inegáveis relativos a todos estes males inexplicados (na Bíblia e no mundo) e concluir que Deus deve provavelmente ser maligno ou inexistente.
Em outras palavras, aceitar tais males sem que uma justificativa seja dada (como o silêncio de Deus implica) indica um compromisso insuficiente com a aquisição de crenças verdadeiras. Mas demonstrar a coragem de manter a descrença face a ameaças de punição eterna no inferno ou de destruição definitiva e absoluta, bem como de inúmeras formas de pressão social e outros fatores adversos, é exatamente o comportamento que um deus esperaria dos genuinamente bons, em vez da submissão à vontade de um ser maligno, ou uma confiança ingênua e injustificada na bondade de um ser aparentemente maligno — esses não são comportamentos esperados de pessoas genuinamente boas.
Por conseguinte somente os não-teístas intelectualmente comprometidos mas críticos são genuinamente virtuosos e irão para o céu. Portanto, se deus existe, seu silêncio e tolerância para com o mal ( no mundo e na bíblia) são explicados e justificados por seu plano de descobrir as únicas classes de pessoas que merecem habitar o céu: não-teístas sinceros. E isto torna perfeitamente compreensíveis vários mistérios, explicando, assim, o que os teístas lutam e se debatem e se contorcem e se atormentam para explicar para si próprios.
* O ocultamento divino é necessário nesta explicação, uma vez que sua presença inspiraria as pessoas a se comportarem moralmente por medo ou motivadas por interesses egoístas, não por coragem ou compaixão ou um senso de integridade pessoal.
* Uma imagem falsa e malévola de Deus na Bíblia é necessária a fim de testar se o leitor colocará a moralidade ou a fé no topo de sua escala de valores, constituindo-se num teste para a coragem moral frente a afirmações, ameaças e promessas de recompensa. Também testa a confiabilidade cognitiva, já que é errado confiar mais na mera palavra escrita de alguém do que em verdades cientificamente estabelecidas e na evidência direta da razão e dos sentidos.
*Males naturais e maldades humanas não impedidas também são necessários nessa explicação, uma vez que apenas desta maneira pode um deus “demonstrar” que não existe nenhuma força moral por trás do universo, que não há nenhum zelador, e por este meio induzir observador racional e comprometido a concluir que não existe nenhuma divindade. Se o universo fosse bem-ordenado, com constrangimentos morais inerentes e a contenção ou restrição de males, os obervadores poderiam concluir que há um deus; assim, mais uma vez, poderiam agir corretamente por medo ou pela esperança de recompensa.
A única maneira de verdadeiramente testar os seres humanos é observar se eles se tornarão não-teístas após sérias e sinceras investigações a respeito destes temas: verificar se temos a coragem e a força moral para escolher a moralidade acima da fé ou da lealdade, e de sermos bons sem medo ou esperança de retribuição divina. Nenhum outro teste garantirá um resultado com os genuinamente bons sendo auto-selecionados num previsível estado de crença que pode ser observado secretamente por Deus.
Conclusão: Como isto explica com facilidade e abraangência todos os inexplicáveis problemas com deus (como o ocultamento divino e a aparente falta de sentido de alguns males), ao passo que outras teologias não o fazem ( ou no mínimo não tão bem), segue-se que esta análise é provavelmente uma interpretação melhor de toda a evidência disponível do que qualquer teologia em contrário. Uma vez que esta conclusão contradiz a conclusão de todas as formulações da Aposta de Pascal, segue-se que a Aposta de Pascal não pode convencer ninguém da existência de Deus ou que a crença em Deus é a melhor aposta.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
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Por que os livros originais do historiador Flávio Josefo sumiram?
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Melhor resposta - Escolhida por votação
Antigo Testamento (Js 19. 10-15) onde encontramos uma lista de todas as tribos de Zabulon, mas nenhuma menção de Nazaré.
No Talmude, existe uma referência de 63 cidades da Galiléia, sem mencionar Nazaré uma única vez.
Jesus não poderia ser um nazareno, pois na época em que ele viveu, a cidade de Nazaré não existia, como foi provado por historiadores em 1920.
Os nazarenos eram uma ramificação dos essênios, uma comunidade que vivia de maneira bastante organizada num sistema
(Js 19. 10-15) as tribos de Zabulon
De acordo com Flávio Josefo, a seita dos nazarenos existia às margens do Rio Jordão, cerca de cento e cinqüenta anos antes do nascimento de Jesus.
Acredita-se também que os nazarenos conheciam os ensinamentos provenientes de Buda e dos Vedas. Encontramos a palavra Nazaré nos dialetos indianos. A palavra Nas significa "associar-se com". Nasa, significa "nariz".
<>http://www.terra.com.br/esoterico/monica…
Quarta-feira, 8 de março de 2006
Jesus, o nazareno
Jesus tem sido chamado pela literatura como Jesus de Nazaré. Por que este nome é utilizado, já que Jesus nasceu em Belém? O correto não seria chamá-lo de Jesus, o belenense?
É fácil identificar a origem do nome Jesus, que deriva de Ieschoua (traduzido do grego Iezous). Também existe a possibilidade de que venha do hebraico Yesu, uma abreviação de Yesua, que foi o grande herói bíblico Josué, sucessor de Moisés.
Já para a origem da palavra nazareno não existem tantas informações. Jesus não poderia ser um nazareno, pois na época em que ele viveu, a cidade de Nazaré não existia, como foi provado por historiadores em 1920.
Para atestar este fato, basta examinar o Antigo Testamento (Js 19. 10-15) onde encontramos uma lista de todas as tribos de Zabulon, mas nenhuma menção de Nazaré.
No Talmude, existe uma referência de 63 cidades da Galiléia, sem mencionar Nazaré uma única vez. Qual a explicação possível?
Uma das possibilidades é que Jesus tenha sido chamado de nazareno por "estar à serviço de Deus", já que a palavra nazareno vem do aramaico Nazar, que significa "observar, colocar-se à serviço de Deus".
Também é quase certo que Nazaré não fosse uma cidade, mas sim, uma ramificação dos essênios, uma comunidade que vivia de maneira bastante organizada, dedicando-se ao trabalho e ao estudo, demonstrando um extraordinário interesse pelos escritos antigos, que proporcionavam ao grupo muito equilíbrio na comunidade.
É possível que os essênios tenham constituído as primeiras comunidades cristãs, sendo citados pelo Talmude como "nozaris". Para alguns estudiosos, os essênios foram considerados os primeiros precursores do cristianismo primitivo.
João Batista também era um nazareno, um profeta, uma pessoa à serviço de Deus, cuja missão era batizar, não para que os filhos de Deus obtivessem a salvação, mas para que seus corpos espirituais e físicos fossem curados.
De acordo com Flávio Josefo, a seita dos nazarenos existia às margens do Rio Jordão, cerca de cento e cinqüenta anos antes do nascimento de Jesus.
Acredita-se também que os nazarenos conheciam os ensinamentos provenientes de Buda e dos Vedas. Encontramos a palavra Nazaré nos dialetos indianos. A palavra Nas significa "associar-se com". Nasa, significa "nariz".
Estas são algumas possibilidades para que Jesus fosse chamado de nazareno, nada tendo a ver como sendo uma pessoa "nascida na cidade de Nazaré".
Monica Buonfiglio
=======================outro==========…
Jesus Cristo, um mito essênio
Na época em que surgiu a ainda não comprovada história de Jesus, existiam três principais denominações judaicas: os fariseus, seduceus e os essênios. Muito provavelmente, apesar das controvérsias, o poderoso e indestrutível cristianismo atual nasceu do reles judaísmo essênio. Tudo o que sabemos sobre eles são pelas referencias de historiadores como Flávio Josefo, Filon de Alexandria e principalmente pelos pergaminhos encontrados próximos ao morto. As controvérsias são muitas, porem há um inegável elo perdido entre cristianismo e judaísmo essênio.
Acreditavam que haveria uma guerra,"A guerra dos filhos da luz contra os filhos das trevas" entre os essênios e os outros desencaminhados da lei, que precederia a era da salvação. Os filhos da luz contam com a ajuda dos anjos Miguel, Rafael e Sariel, enquanto que os filhos das trevas contam com Belial. A vitória, é claro, é dos filhos da luz (O Armagedon do apocalipse?). E mais, esse texto sobre essa guerra foi originalmete escrito muito antes do suposto período do apocalipse cristão, entre os anos de 50 a.C. e 25 d.C.
As pessoas de suas comunidades acreditam que são os eleitos de Deus, os outros, principalmente os fariseus, eram hipócritas, são os "filhos das trevas", que vivem sob o "domínio de Satanás". São os "malditos", os "homens da falsidade", "os que transgridem os mandamentos", os "homens do inferno" segundo a Regra da Comunidade. As pessoas de suas comunidades são os eleitos de Deus, os outros, principalmente os fariseus, "profanam o Templo", "blasfemam contra as leis da aliança de Deus", "praticam a vingança e a maldade contra seu irmão"; os que "saqueiam os pobres", "fazem das viúvas suas presas", "tornam órfãs suas vítimas". São os "homens violentos que romperam a aliança", guiados pela "mentira", o "sacerdote ímpio", cuja "ignomínia era maior que sua glória", e que "viveu de maneira abominável em meio a toda deturpação impura" segundo o Documento de Damasco.
Os essênios eram também conhecidos como nazarenos, e Nazaré era um de seus redutos, aliais, é bom reforçar que a cidade recebeu esse nome por causa dos essênios e não o contrário. São Judeus do deserto que conservaram as puras tradições dos profeta e que promoviam o ritual de batismo. Cristãos compartilham com os essênios inclusive o personagem João Batista. Segundo eles deveria haver dois messias, o Messias-Sacerdote se mostraria resignado com seu destino, dando a vida em sacrifício. Faria purgar os pecados de todos e a conduta de seus atos seria o exemplo da fé que leva os homens à Deus. Para muitos, era João Batista o verdadeiro messias e, talvez, foi por isso que a seita cristã se separou da seita dos essênios, acreditando que o verdadeiro Cristo era Jesus. Os pergaminhos do Mar Morto que fala dos essênios apresenta uma figura extremamente semelhante a Jesus, porem não era o mesmo, já que este havia morrido antes mesmo do suposto nascimento do Jesus evangélico e era apenas o líder dessa comunidade de essênios de Qumran, sendo que este morreu em condições semelhantes a Jesus ao tentar se revoltar contra os romanos.
E há mais coisas que cristãos e essênios compartilham: Não faziam sacrifícios animais; O homem deve ser justo porque na lei da natureza as penalidades são proporcionais às infrações. Deve ser pacífico, tolerante e caridoso. De costumes irrepreensíveis, moralidade exemplar, pacíficos e de boa fé, se dedicavam à contemplação e à caridade, longe do materialismo avassalador. Traços como o elogio de uma vida humilde, a proibição do divórcio e a invocação a Deus como um pai. Os ensinamentos de Jesus provem deles.
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xiao4 cang2 dao1
os pergaminhos se decompõe muito rápido nas bibliotecas medievais, e ele não for copiado uma vez a cada 100 anos se decompõe completamente.
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vano677
Se sumiram é porque talvez ele tenha feito algumas anotações que com certeza relatariam a verdade sobre o mito cristão, quem sabe?
Mas eu particularmente fico meio receoso quanto a Joséfo, Agripa II, Berenice, Tito e Vespasiano.
Segundo dizem Clemente I, Titus Flavius Clemens, poderia ter sido parente dos Flávios e fora escolhido como papa em Roma 90-95 dC. Se a família dos Flávios estavam no poder e Domitila, sobrinha de Dominiciano fora tida como mártir então há de se supor que o culto cristão talvez tenha começado a dar os primeiros passos entre 70 e 95 dC, em Roma, bem longe da Palestina.
Quem sabe se os romanos juntamente com alguns discidentes judaicos não quisessem fundar uma nova religião que englobasse um pouco de cada religião existente na época para se poder governar melhor? Pois naquela época havia grandes filósofos em Roma e Alexandria. Pois Tito se apaixonara por Berenice, porque não casar a religião judaica com a romana? Vespasiano se encantara com a inteligência de Joséfo.
Creio eu que estas figuras e os que os cercavam tiveram um papel importante quanto ao mito cristão.
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Maharet ®
Após a guerra, Flávio Josefo vai viver em Roma, recebendo de Vespasiano uma casa, pensão, propriedades e a cidadania romana. Casa-se 4 vezes, tem 3 filhos e morre em 102 ou 103 d.C., em Roma.
Nestes cerca de 30 anos morando em Roma, Josefo escreve extensa obra sobre os judeus e a guerra judaica contra Roma: Bellum Iudaicum (A Guerra Judaica) em 7 livros; Antiquitates Iudaicae (Antigüidades Judaicas) em 20 livros; Contra Apionem (Contra Apião) em 1 livro e Vita (Autobiografia) também em 1 livro.
A Guerra Judaica é escrita primeiramente em aramaico e, em seguida, entre 79 e 81 d.C., traduzida para o grego. Alguns acham que é por remorso pelo modo suspeito como salva sua vida que Flávio Josefo escreve esta obra. Mas é mais provável que A Guerra Judaica seja uma obra de encomenda. Sendo ainda numerosos os judeus tanto no Império Romano quanto nas regiões dos partos, babilônios e árabes, e esboçando-se possibilidades de novas revoltas, é preciso dissuadir qualquer nova tentativa de insurreição. E a melhor dissuasão é o relato da guerra na Judéia.
A última obra de Josefo é a Autobiografia, escrita após 95 d.C., não se sabe exatamente em que ano.
Algo que se sabe é que alguns dos seus originais se encontravam na Biblioteca de Alexandria: A Biblioteca continha tudo o que a literatura grega produzira de interessante. É certo também que existiam obras estrangeiras traduzidas ou não. Dentro das obras traduzidas pelo corpo de tradutores do próprio museu, distingue-se a tradução em língua grega dos chamados Setenta, livros sagrados dos Judeus a que chamamos Antigo Testamento. Uma lenda diz que Ptolomeu II Filadelfo (rei do Egipto entre 283 e 246 a. C.) reuniu setenta e dois sábios judeus e lhes pediu que traduzissem para o grego as suas Escrituras. No entanto, a tradução foi na realidade bem mais demorada. O Pentateuco só foi acabado de traduzir no séc. III, os livros dos Profetas e os Salmos no século II, e o Eclesiastes cerca de cem anos após a era cristã.
A dedicação e devoção revelada pelos soberanos do Egipto e pelos responsáveis pelo Museu permitiu reunir a maior colecção de livros da antiguidade. Pensa-se que a Biblioteca chegou a reunir cerca de 400 mil volumes. Tendo-se tornado insuficiente o espaço, o Serapeion (templo de Serápis) recebeu um outro depósito, de cerca de 300 mil volumes, totalizando assim 700 mil volumes. Em 441 d.c foi totalmente destruída num segundo incêndio, facto que já havia destruído uma boa parte do seu acervo anteriormente.
Não será, pois, de admirar que tenhamos perdido não apenas as obras originais de Josefo como ainda as de mais uns milhares de autores que decerto contribuiriam para melhor conhecermos a antiguidade clássica.
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Da Terra
Nazareno vem de Nazireu, aquele que faz voto de Nazir.
E isto era feito por alguém que queria alcançar altos níveis de espiritualidade e professia.
A cidade de Nazaré veio existir pelo menos 300 anos apos a morte de Jesus!
Isto é apenas uma contradição história do cristianismo!
Sobre os originais de Flavio Josefus não existirem mais, fica a pergunta? Quem tem a verdade teme o quê?
4 anos atrás Denuncie
Por que os livros originais do historiador Flávio Josefo sumiram?
4 anos atrás Denuncie
▒▒ Da Terra ▒▒
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Antigo Testamento (Js 19. 10-15) onde encontramos uma lista de todas as tribos de Zabulon, mas nenhuma menção de Nazaré.
No Talmude, existe uma referência de 63 cidades da Galiléia, sem mencionar Nazaré uma única vez.
Jesus não poderia ser um nazareno, pois na época em que ele viveu, a cidade de Nazaré não existia, como foi provado por historiadores em 1920.
Os nazarenos eram uma ramificação dos essênios, uma comunidade que vivia de maneira bastante organizada num sistema
(Js 19. 10-15) as tribos de Zabulon
De acordo com Flávio Josefo, a seita dos nazarenos existia às margens do Rio Jordão, cerca de cento e cinqüenta anos antes do nascimento de Jesus.
Acredita-se também que os nazarenos conheciam os ensinamentos provenientes de Buda e dos Vedas. Encontramos a palavra Nazaré nos dialetos indianos. A palavra Nas significa "associar-se com". Nasa, significa "nariz".
<>http://www.terra.com.br/esoterico/monica…
Quarta-feira, 8 de março de 2006
Jesus, o nazareno
Jesus tem sido chamado pela literatura como Jesus de Nazaré. Por que este nome é utilizado, já que Jesus nasceu em Belém? O correto não seria chamá-lo de Jesus, o belenense?
É fácil identificar a origem do nome Jesus, que deriva de Ieschoua (traduzido do grego Iezous). Também existe a possibilidade de que venha do hebraico Yesu, uma abreviação de Yesua, que foi o grande herói bíblico Josué, sucessor de Moisés.
Já para a origem da palavra nazareno não existem tantas informações. Jesus não poderia ser um nazareno, pois na época em que ele viveu, a cidade de Nazaré não existia, como foi provado por historiadores em 1920.
Para atestar este fato, basta examinar o Antigo Testamento (Js 19. 10-15) onde encontramos uma lista de todas as tribos de Zabulon, mas nenhuma menção de Nazaré.
No Talmude, existe uma referência de 63 cidades da Galiléia, sem mencionar Nazaré uma única vez. Qual a explicação possível?
Uma das possibilidades é que Jesus tenha sido chamado de nazareno por "estar à serviço de Deus", já que a palavra nazareno vem do aramaico Nazar, que significa "observar, colocar-se à serviço de Deus".
Também é quase certo que Nazaré não fosse uma cidade, mas sim, uma ramificação dos essênios, uma comunidade que vivia de maneira bastante organizada, dedicando-se ao trabalho e ao estudo, demonstrando um extraordinário interesse pelos escritos antigos, que proporcionavam ao grupo muito equilíbrio na comunidade.
É possível que os essênios tenham constituído as primeiras comunidades cristãs, sendo citados pelo Talmude como "nozaris". Para alguns estudiosos, os essênios foram considerados os primeiros precursores do cristianismo primitivo.
João Batista também era um nazareno, um profeta, uma pessoa à serviço de Deus, cuja missão era batizar, não para que os filhos de Deus obtivessem a salvação, mas para que seus corpos espirituais e físicos fossem curados.
De acordo com Flávio Josefo, a seita dos nazarenos existia às margens do Rio Jordão, cerca de cento e cinqüenta anos antes do nascimento de Jesus.
Acredita-se também que os nazarenos conheciam os ensinamentos provenientes de Buda e dos Vedas. Encontramos a palavra Nazaré nos dialetos indianos. A palavra Nas significa "associar-se com". Nasa, significa "nariz".
Estas são algumas possibilidades para que Jesus fosse chamado de nazareno, nada tendo a ver como sendo uma pessoa "nascida na cidade de Nazaré".
Monica Buonfiglio
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Jesus Cristo, um mito essênio
Na época em que surgiu a ainda não comprovada história de Jesus, existiam três principais denominações judaicas: os fariseus, seduceus e os essênios. Muito provavelmente, apesar das controvérsias, o poderoso e indestrutível cristianismo atual nasceu do reles judaísmo essênio. Tudo o que sabemos sobre eles são pelas referencias de historiadores como Flávio Josefo, Filon de Alexandria e principalmente pelos pergaminhos encontrados próximos ao morto. As controvérsias são muitas, porem há um inegável elo perdido entre cristianismo e judaísmo essênio.
Acreditavam que haveria uma guerra,"A guerra dos filhos da luz contra os filhos das trevas" entre os essênios e os outros desencaminhados da lei, que precederia a era da salvação. Os filhos da luz contam com a ajuda dos anjos Miguel, Rafael e Sariel, enquanto que os filhos das trevas contam com Belial. A vitória, é claro, é dos filhos da luz (O Armagedon do apocalipse?). E mais, esse texto sobre essa guerra foi originalmete escrito muito antes do suposto período do apocalipse cristão, entre os anos de 50 a.C. e 25 d.C.
As pessoas de suas comunidades acreditam que são os eleitos de Deus, os outros, principalmente os fariseus, eram hipócritas, são os "filhos das trevas", que vivem sob o "domínio de Satanás". São os "malditos", os "homens da falsidade", "os que transgridem os mandamentos", os "homens do inferno" segundo a Regra da Comunidade. As pessoas de suas comunidades são os eleitos de Deus, os outros, principalmente os fariseus, "profanam o Templo", "blasfemam contra as leis da aliança de Deus", "praticam a vingança e a maldade contra seu irmão"; os que "saqueiam os pobres", "fazem das viúvas suas presas", "tornam órfãs suas vítimas". São os "homens violentos que romperam a aliança", guiados pela "mentira", o "sacerdote ímpio", cuja "ignomínia era maior que sua glória", e que "viveu de maneira abominável em meio a toda deturpação impura" segundo o Documento de Damasco.
Os essênios eram também conhecidos como nazarenos, e Nazaré era um de seus redutos, aliais, é bom reforçar que a cidade recebeu esse nome por causa dos essênios e não o contrário. São Judeus do deserto que conservaram as puras tradições dos profeta e que promoviam o ritual de batismo. Cristãos compartilham com os essênios inclusive o personagem João Batista. Segundo eles deveria haver dois messias, o Messias-Sacerdote se mostraria resignado com seu destino, dando a vida em sacrifício. Faria purgar os pecados de todos e a conduta de seus atos seria o exemplo da fé que leva os homens à Deus. Para muitos, era João Batista o verdadeiro messias e, talvez, foi por isso que a seita cristã se separou da seita dos essênios, acreditando que o verdadeiro Cristo era Jesus. Os pergaminhos do Mar Morto que fala dos essênios apresenta uma figura extremamente semelhante a Jesus, porem não era o mesmo, já que este havia morrido antes mesmo do suposto nascimento do Jesus evangélico e era apenas o líder dessa comunidade de essênios de Qumran, sendo que este morreu em condições semelhantes a Jesus ao tentar se revoltar contra os romanos.
E há mais coisas que cristãos e essênios compartilham: Não faziam sacrifícios animais; O homem deve ser justo porque na lei da natureza as penalidades são proporcionais às infrações. Deve ser pacífico, tolerante e caridoso. De costumes irrepreensíveis, moralidade exemplar, pacíficos e de boa fé, se dedicavam à contemplação e à caridade, longe do materialismo avassalador. Traços como o elogio de uma vida humilde, a proibição do divórcio e a invocação a Deus como um pai. Os ensinamentos de Jesus provem deles.
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os pergaminhos se decompõe muito rápido nas bibliotecas medievais, e ele não for copiado uma vez a cada 100 anos se decompõe completamente.
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vano677
Se sumiram é porque talvez ele tenha feito algumas anotações que com certeza relatariam a verdade sobre o mito cristão, quem sabe?
Mas eu particularmente fico meio receoso quanto a Joséfo, Agripa II, Berenice, Tito e Vespasiano.
Segundo dizem Clemente I, Titus Flavius Clemens, poderia ter sido parente dos Flávios e fora escolhido como papa em Roma 90-95 dC. Se a família dos Flávios estavam no poder e Domitila, sobrinha de Dominiciano fora tida como mártir então há de se supor que o culto cristão talvez tenha começado a dar os primeiros passos entre 70 e 95 dC, em Roma, bem longe da Palestina.
Quem sabe se os romanos juntamente com alguns discidentes judaicos não quisessem fundar uma nova religião que englobasse um pouco de cada religião existente na época para se poder governar melhor? Pois naquela época havia grandes filósofos em Roma e Alexandria. Pois Tito se apaixonara por Berenice, porque não casar a religião judaica com a romana? Vespasiano se encantara com a inteligência de Joséfo.
Creio eu que estas figuras e os que os cercavam tiveram um papel importante quanto ao mito cristão.
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Maharet ®
Após a guerra, Flávio Josefo vai viver em Roma, recebendo de Vespasiano uma casa, pensão, propriedades e a cidadania romana. Casa-se 4 vezes, tem 3 filhos e morre em 102 ou 103 d.C., em Roma.
Nestes cerca de 30 anos morando em Roma, Josefo escreve extensa obra sobre os judeus e a guerra judaica contra Roma: Bellum Iudaicum (A Guerra Judaica) em 7 livros; Antiquitates Iudaicae (Antigüidades Judaicas) em 20 livros; Contra Apionem (Contra Apião) em 1 livro e Vita (Autobiografia) também em 1 livro.
A Guerra Judaica é escrita primeiramente em aramaico e, em seguida, entre 79 e 81 d.C., traduzida para o grego. Alguns acham que é por remorso pelo modo suspeito como salva sua vida que Flávio Josefo escreve esta obra. Mas é mais provável que A Guerra Judaica seja uma obra de encomenda. Sendo ainda numerosos os judeus tanto no Império Romano quanto nas regiões dos partos, babilônios e árabes, e esboçando-se possibilidades de novas revoltas, é preciso dissuadir qualquer nova tentativa de insurreição. E a melhor dissuasão é o relato da guerra na Judéia.
A última obra de Josefo é a Autobiografia, escrita após 95 d.C., não se sabe exatamente em que ano.
Algo que se sabe é que alguns dos seus originais se encontravam na Biblioteca de Alexandria: A Biblioteca continha tudo o que a literatura grega produzira de interessante. É certo também que existiam obras estrangeiras traduzidas ou não. Dentro das obras traduzidas pelo corpo de tradutores do próprio museu, distingue-se a tradução em língua grega dos chamados Setenta, livros sagrados dos Judeus a que chamamos Antigo Testamento. Uma lenda diz que Ptolomeu II Filadelfo (rei do Egipto entre 283 e 246 a. C.) reuniu setenta e dois sábios judeus e lhes pediu que traduzissem para o grego as suas Escrituras. No entanto, a tradução foi na realidade bem mais demorada. O Pentateuco só foi acabado de traduzir no séc. III, os livros dos Profetas e os Salmos no século II, e o Eclesiastes cerca de cem anos após a era cristã.
A dedicação e devoção revelada pelos soberanos do Egipto e pelos responsáveis pelo Museu permitiu reunir a maior colecção de livros da antiguidade. Pensa-se que a Biblioteca chegou a reunir cerca de 400 mil volumes. Tendo-se tornado insuficiente o espaço, o Serapeion (templo de Serápis) recebeu um outro depósito, de cerca de 300 mil volumes, totalizando assim 700 mil volumes. Em 441 d.c foi totalmente destruída num segundo incêndio, facto que já havia destruído uma boa parte do seu acervo anteriormente.
Não será, pois, de admirar que tenhamos perdido não apenas as obras originais de Josefo como ainda as de mais uns milhares de autores que decerto contribuiriam para melhor conhecermos a antiguidade clássica.
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Or
Da Terra
Nazareno vem de Nazireu, aquele que faz voto de Nazir.
E isto era feito por alguém que queria alcançar altos níveis de espiritualidade e professia.
A cidade de Nazaré veio existir pelo menos 300 anos apos a morte de Jesus!
Isto é apenas uma contradição história do cristianismo!
Sobre os originais de Flavio Josefus não existirem mais, fica a pergunta? Quem tem a verdade teme o quê?
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terça-feira, 7 de junho de 2011
, я๏∂яเgσ°
Contradições parte 1
Dá uma espiada.
Os Gigantes existiam antes da inundação (Gênesis 6:4).
Somente Noé, sua família, e os animais da Arca sobreviveram à inundação (Gênesis 7:23).
Mesmo depois da Inundação os gigantes continuaram existindo (Números 13:33).
Toda a terra tinha uma só língua e as mesmas palavras, até que Deus criou vários idiomas diferentes, fazendo com que ninguém entendesse um ao outro (Gênesis 11:1,6-9).
Anterior a isto, a Bíblia fala de diversas nações, cada um com sua própria língua (Gênesis 10:5).
Deus admitiu que Ele é a causa da surdez e da cegueira (Êxodo 4:11).
Contudo, Deus não aflige os homens por vontade própria (Lamentações 3:33).
Deus envia Moisés para o egito resgatar os filhos de Israel (Êxodo 3:10. 4:19-23).
No caminho, Deus ameaçou Moisés de morte. Não proveu de explicação (Êxodo 4:24-26).
Deus mata todos os animais dos egípcios com uma forte pestilência. Nenhum sobreviveu a pestilência (Êxodo 9:3-6).
Deus mata todos os animais dos egípcios com uma chuva de granizo (Mas eles já não haviam morrido com a pestilência?) (Êxodo 9:19-21,25).
Deus não foi conhecido por Abraão, Isaac e Jacó pelo nome de Javé (Êxodo 6:2-3).
O nome do Senhor já era conhecido (Gênesis 4:26).
Deus proibe que seja feito a escultura de qualquer ser (Êxodo 20:4).
Deus ordenou a fabricação de estátuas de ouro (Êxodo 25:18).
Proibição do assassinato (Êxodo 20:13).
Deus manda Moisés matar todos os homens de Madiã (Números 31:7).
Proibição do roubo (Êxodo 20:15).
Deus manda roubar os egípcios (Êxodo 3:21-22).
Proibição da mentira (Êxodo 20:16)
Deus permiti a mentira (I Reis 22:22)
Deus não pode mentir (Números 23:19).
Deus deliberadamente enviou um "espírito" mentiroso (I Reis 22:20-30) (II Crônicas 18:19-22).
Deus faz pessoas acreditarem em mentiras (II Tessalonicenses 2:11-12).
O Senhor engana os profetas (Ezequiel 14:9).
Contradições - Parte 2
Aarão morreu no monte Hor. Imediatamente depois disso, os israelitas foram para Salmona e Finon (Números 33:38).
Aarão morreu em Mosera. Depois disso, os isralelitas foram para Gadgad e Jetebata (Deuteronômio 10:6-7).
Deus diz a Moisés que Aarão morreu no monte Hor (Deuteronômio 32:50).
Nós temos que amar Deus (Deuteronômio 6:5) (Mateus 22:37).
Nós temos que temer Deus (Deuteronômio 6:13) (I Pedro 2:17).
Deus escreveu nas tábuas as dez palavras da aliança (Deuteronômio 10:1-2,4).
Deus ditou e Moisés escreveu (Êxodo 34:27-28).
Josué queimou a cidade de Hai e reduziu-a a um monte de ruínas para sempre (Josué 8:28).
Hai ainda existe como uma cidade (Neemias 7:32).
Josué destruiu totalmente os habitantes de Dabir (Josué 10:38-39).
Os habitantes de Dabir ainda existem (Josué 15:15).
Saul destruiu completamente os amalecitas (I Samuel 15:7-8,20).
David destruiu completamente os amalecitas (I Samuel 27:8-9).
Finalmente os amalecitas são mortos (I Crônicas 4:42-43).
Isaí teve sete filhos além de seu mais jovem, David (I Samuel 16:10.11).
David foi o sétimo filho (I Crônicas 2:15).
Saul tentou consultar o Senhor (I Samuel 28:6).
Saul nunca fez tal coisa (I Crônicas 10:13-14).
Saul cometeu suicídio (I Samuel 31:4-6) (I Crônicas 10:4-5).
Saul foi morto por um amalecita (II Samuel 1:8-10).
Saul foi morto pelos filisteus (II Samuel 21:12).
Davi tomou 1.700 cavaleiros de Adadezer (II Samuel 8:4).
Davi tomou 7.000 cavaleiros de Adadezer (I Crônicas 18:4).
Davi matou aos arameus 700 parelhas de cavalos e 40.000 cavaleiros (II Samuel 10:18).
Davi matou aos arameus 7.000 cavalos e 40.000 empregados (I Crônicas 19:18).
Israel dispõe de 800.000 homens aptos para manejar espadas, enquanto que Judá dispõe de 500.000 homens (II Samuel 24:9).
Israel dispõe de 1.100.000 homens aptos para manejar espadas, enquanto que Judá dispõe de 470.000 homens (I Crônicas 21:5).
Contradições - Parte 3
Satã provocou Davi a fazer um censo de Israel (I Crônicas 21:1).
Deus sugeriu Davi a fazer um censo de Israel (II Samuel 24:1).
Davi pagou 50 siclos de prata por gados e pelo terreno (II Samuel 24:24).
Davi pagou 600 siclos de ouro pelo mesmo terreno (I Crônicas 21:25).
Rei Josias foi morto em Magedo. Seus servos o levam morto para Jerusalém (II Reis 23:29-30).
Rei Josias foi ferido em Magedo e pediu para seus servos o levarem para Jerusalém, onde veio a falecer (II Reis 23:29-30).
Foram levados 5 homens dentre os mais íntimos do rei (II Reis 25:19-20).
Foram levados 7 homens dentre os mais íntimos do rei (Jeremias 52:25-26).
São citados os nomes de 10 pessoas que vieram com Zorobabel (Esdras 2:2)
São citados os nomes de 11 pessoas que vieram com Zorobabel (Neemias 7:7)
(Esdras 2:3 & Neemias 7:8) Estas passagens pretendem mostrar a quantidade de pessoas que voltaram do cativeiro babilônico. Compare o número para cada família: 14 deles discordam.
Jesus foi filho de José, que o foi de Jacob (Mateus 1:16).
Jesus foi filho de José, que o foi de Heli (Lucas 3:23).
O pai de Salathiel foi Jeconias (Mateus 1:12).
O pai de Salathiel foi Neri (Lucas 3:27)
Abiud é filho de Zorobabel (Mateus 1:13).
Resa é filho de Zorobabel (Lucas 3:27).
São citados os nomes de todos os filhos de Zorobabel, mas nem Resa e nem Abiud estão entre eles (I Crônicas 3:19-20).
Jorão era o pai de Ozias que era o pai de Joathão (Mateus 1:8-9).
Jorão era o pai de Occozias, do qual nasceu Joás, que gerou Amazias, que foi pai de Azarias que, finalmente, gerou Joathão (I Crônicas 3:11-12).
Josias era o pai de Jeconias (Mateus 1:11).
Josias era o avô de Jeconias (I Crônicas 3:15-16).
Zorobabel era filho de Salathiel (Mateus 1:12) (Lucas 3:27).
Zorobabel era filho de Fadaia. Salathiel era tio dele (I Crônicas 3:17-19).
Contradições - Parte 4
O Diabo levou Jesus primeiro ao topo do templo e depois para um lugar alto para ver todos os reinos do mundo (Mateus 4:5-8).
O Diabo levou Jesus primeiro para o lugar alto e depois para o topo do templo (Lucas 4:5-9).
O centurião se aproximou de Jesus e pediu ajuda para um criado doente (Mateus 8:5-7).
O centurião não se aproximou de Jesus. Ele enviou amigos e os anciões dos judeus (Lucas 7:2-3,6-7).
Jairo pediu a Jesus que ajudasse a sua filha, que estava morrendo (Lucas 8:41-42).
Ele pediu para que Jesus salvasse a filha dele que já havia morrido (Mateus 9:18).
Jesus disse aos seus discípulos que deveriam andar calçados com sandálias (Marcos 6:8).
Jesus lhes disse que não deveriam andar descalços (Mateus 10:10).
Deus confiou o julgamento a Jesus (João 5:22) (João 5:27,30 8:26) (II Coríntios 5:10) (Atos 10:42).
Jesus, porém, disse que não julga ninguém (João 8:15,12:47).
Os santos hão de julgar o mundo (I Coríntios 6:2).
A transfiguração de Jesus ocorreu 6 dias após a sua profecia (Mateus 17:1-2).
A transfiguração ocorreu 8 dias após (Lucas 9:28-29).
A mãe de Tiago e João pediu a Jesus para que eles se assentassem ao seu lado no reino (Mateus 20:20-21).
Tiago e João fizeram o pedido, ao invés de sua mãe (Marcos 10:35-37).
Ao sair de Jericó, Jesus se encontrou com dois homens cegos (Mateus 20:29-30).
Ao sair de Jericó, Jesus se encontrou com somente um homem cego (Marcos 10:46-47).
Dois dos discípulos levaram uma jumenta e um jumentinho para Jesus da aldeia de Bethfagé (Mateus 21:2-7).
Eles levaram somente um jumentinho (Marcos 11:2-7).
Jesus amaldiçoou a árvore de figo depois de ter deixado o templo (Mateus 21:17-19).
Ele amaldiçoou a árvore antes de ter entrado no templo (Marcos 11:14-15,20)
Um dia após Jesus ter amaldiçoado a figueira, os discípulos notaram que ela havia secado (Marcos 11:14-15,20)
A figueira secou imediatamente após a maldição ser posta (Mateus 21:19).
Contradições parte 1
Dá uma espiada.
Os Gigantes existiam antes da inundação (Gênesis 6:4).
Somente Noé, sua família, e os animais da Arca sobreviveram à inundação (Gênesis 7:23).
Mesmo depois da Inundação os gigantes continuaram existindo (Números 13:33).
Toda a terra tinha uma só língua e as mesmas palavras, até que Deus criou vários idiomas diferentes, fazendo com que ninguém entendesse um ao outro (Gênesis 11:1,6-9).
Anterior a isto, a Bíblia fala de diversas nações, cada um com sua própria língua (Gênesis 10:5).
Deus admitiu que Ele é a causa da surdez e da cegueira (Êxodo 4:11).
Contudo, Deus não aflige os homens por vontade própria (Lamentações 3:33).
Deus envia Moisés para o egito resgatar os filhos de Israel (Êxodo 3:10. 4:19-23).
No caminho, Deus ameaçou Moisés de morte. Não proveu de explicação (Êxodo 4:24-26).
Deus mata todos os animais dos egípcios com uma forte pestilência. Nenhum sobreviveu a pestilência (Êxodo 9:3-6).
Deus mata todos os animais dos egípcios com uma chuva de granizo (Mas eles já não haviam morrido com a pestilência?) (Êxodo 9:19-21,25).
Deus não foi conhecido por Abraão, Isaac e Jacó pelo nome de Javé (Êxodo 6:2-3).
O nome do Senhor já era conhecido (Gênesis 4:26).
Deus proibe que seja feito a escultura de qualquer ser (Êxodo 20:4).
Deus ordenou a fabricação de estátuas de ouro (Êxodo 25:18).
Proibição do assassinato (Êxodo 20:13).
Deus manda Moisés matar todos os homens de Madiã (Números 31:7).
Proibição do roubo (Êxodo 20:15).
Deus manda roubar os egípcios (Êxodo 3:21-22).
Proibição da mentira (Êxodo 20:16)
Deus permiti a mentira (I Reis 22:22)
Deus não pode mentir (Números 23:19).
Deus deliberadamente enviou um "espírito" mentiroso (I Reis 22:20-30) (II Crônicas 18:19-22).
Deus faz pessoas acreditarem em mentiras (II Tessalonicenses 2:11-12).
O Senhor engana os profetas (Ezequiel 14:9).
Contradições - Parte 2
Aarão morreu no monte Hor. Imediatamente depois disso, os israelitas foram para Salmona e Finon (Números 33:38).
Aarão morreu em Mosera. Depois disso, os isralelitas foram para Gadgad e Jetebata (Deuteronômio 10:6-7).
Deus diz a Moisés que Aarão morreu no monte Hor (Deuteronômio 32:50).
Nós temos que amar Deus (Deuteronômio 6:5) (Mateus 22:37).
Nós temos que temer Deus (Deuteronômio 6:13) (I Pedro 2:17).
Deus escreveu nas tábuas as dez palavras da aliança (Deuteronômio 10:1-2,4).
Deus ditou e Moisés escreveu (Êxodo 34:27-28).
Josué queimou a cidade de Hai e reduziu-a a um monte de ruínas para sempre (Josué 8:28).
Hai ainda existe como uma cidade (Neemias 7:32).
Josué destruiu totalmente os habitantes de Dabir (Josué 10:38-39).
Os habitantes de Dabir ainda existem (Josué 15:15).
Saul destruiu completamente os amalecitas (I Samuel 15:7-8,20).
David destruiu completamente os amalecitas (I Samuel 27:8-9).
Finalmente os amalecitas são mortos (I Crônicas 4:42-43).
Isaí teve sete filhos além de seu mais jovem, David (I Samuel 16:10.11).
David foi o sétimo filho (I Crônicas 2:15).
Saul tentou consultar o Senhor (I Samuel 28:6).
Saul nunca fez tal coisa (I Crônicas 10:13-14).
Saul cometeu suicídio (I Samuel 31:4-6) (I Crônicas 10:4-5).
Saul foi morto por um amalecita (II Samuel 1:8-10).
Saul foi morto pelos filisteus (II Samuel 21:12).
Davi tomou 1.700 cavaleiros de Adadezer (II Samuel 8:4).
Davi tomou 7.000 cavaleiros de Adadezer (I Crônicas 18:4).
Davi matou aos arameus 700 parelhas de cavalos e 40.000 cavaleiros (II Samuel 10:18).
Davi matou aos arameus 7.000 cavalos e 40.000 empregados (I Crônicas 19:18).
Israel dispõe de 800.000 homens aptos para manejar espadas, enquanto que Judá dispõe de 500.000 homens (II Samuel 24:9).
Israel dispõe de 1.100.000 homens aptos para manejar espadas, enquanto que Judá dispõe de 470.000 homens (I Crônicas 21:5).
Contradições - Parte 3
Satã provocou Davi a fazer um censo de Israel (I Crônicas 21:1).
Deus sugeriu Davi a fazer um censo de Israel (II Samuel 24:1).
Davi pagou 50 siclos de prata por gados e pelo terreno (II Samuel 24:24).
Davi pagou 600 siclos de ouro pelo mesmo terreno (I Crônicas 21:25).
Rei Josias foi morto em Magedo. Seus servos o levam morto para Jerusalém (II Reis 23:29-30).
Rei Josias foi ferido em Magedo e pediu para seus servos o levarem para Jerusalém, onde veio a falecer (II Reis 23:29-30).
Foram levados 5 homens dentre os mais íntimos do rei (II Reis 25:19-20).
Foram levados 7 homens dentre os mais íntimos do rei (Jeremias 52:25-26).
São citados os nomes de 10 pessoas que vieram com Zorobabel (Esdras 2:2)
São citados os nomes de 11 pessoas que vieram com Zorobabel (Neemias 7:7)
(Esdras 2:3 & Neemias 7:8) Estas passagens pretendem mostrar a quantidade de pessoas que voltaram do cativeiro babilônico. Compare o número para cada família: 14 deles discordam.
Jesus foi filho de José, que o foi de Jacob (Mateus 1:16).
Jesus foi filho de José, que o foi de Heli (Lucas 3:23).
O pai de Salathiel foi Jeconias (Mateus 1:12).
O pai de Salathiel foi Neri (Lucas 3:27)
Abiud é filho de Zorobabel (Mateus 1:13).
Resa é filho de Zorobabel (Lucas 3:27).
São citados os nomes de todos os filhos de Zorobabel, mas nem Resa e nem Abiud estão entre eles (I Crônicas 3:19-20).
Jorão era o pai de Ozias que era o pai de Joathão (Mateus 1:8-9).
Jorão era o pai de Occozias, do qual nasceu Joás, que gerou Amazias, que foi pai de Azarias que, finalmente, gerou Joathão (I Crônicas 3:11-12).
Josias era o pai de Jeconias (Mateus 1:11).
Josias era o avô de Jeconias (I Crônicas 3:15-16).
Zorobabel era filho de Salathiel (Mateus 1:12) (Lucas 3:27).
Zorobabel era filho de Fadaia. Salathiel era tio dele (I Crônicas 3:17-19).
Contradições - Parte 4
O Diabo levou Jesus primeiro ao topo do templo e depois para um lugar alto para ver todos os reinos do mundo (Mateus 4:5-8).
O Diabo levou Jesus primeiro para o lugar alto e depois para o topo do templo (Lucas 4:5-9).
O centurião se aproximou de Jesus e pediu ajuda para um criado doente (Mateus 8:5-7).
O centurião não se aproximou de Jesus. Ele enviou amigos e os anciões dos judeus (Lucas 7:2-3,6-7).
Jairo pediu a Jesus que ajudasse a sua filha, que estava morrendo (Lucas 8:41-42).
Ele pediu para que Jesus salvasse a filha dele que já havia morrido (Mateus 9:18).
Jesus disse aos seus discípulos que deveriam andar calçados com sandálias (Marcos 6:8).
Jesus lhes disse que não deveriam andar descalços (Mateus 10:10).
Deus confiou o julgamento a Jesus (João 5:22) (João 5:27,30 8:26) (II Coríntios 5:10) (Atos 10:42).
Jesus, porém, disse que não julga ninguém (João 8:15,12:47).
Os santos hão de julgar o mundo (I Coríntios 6:2).
A transfiguração de Jesus ocorreu 6 dias após a sua profecia (Mateus 17:1-2).
A transfiguração ocorreu 8 dias após (Lucas 9:28-29).
A mãe de Tiago e João pediu a Jesus para que eles se assentassem ao seu lado no reino (Mateus 20:20-21).
Tiago e João fizeram o pedido, ao invés de sua mãe (Marcos 10:35-37).
Ao sair de Jericó, Jesus se encontrou com dois homens cegos (Mateus 20:29-30).
Ao sair de Jericó, Jesus se encontrou com somente um homem cego (Marcos 10:46-47).
Dois dos discípulos levaram uma jumenta e um jumentinho para Jesus da aldeia de Bethfagé (Mateus 21:2-7).
Eles levaram somente um jumentinho (Marcos 11:2-7).
Jesus amaldiçoou a árvore de figo depois de ter deixado o templo (Mateus 21:17-19).
Ele amaldiçoou a árvore antes de ter entrado no templo (Marcos 11:14-15,20)
Um dia após Jesus ter amaldiçoado a figueira, os discípulos notaram que ela havia secado (Marcos 11:14-15,20)
A figueira secou imediatamente após a maldição ser posta (Mateus 21:19).
terça-feira, 24 de maio de 2011
dezembro/2008
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Quem escreveu a Bíblia?
A história de Deus foi escrita pelos homens. Mas quem é o autor do livro mais influente de todos os tempos? As respostas são surpreendentes - e vão mudar sua maneira de ver as Escrituras
por Texto José Francisco Botelho
Em algum lugar do Oriente Médio, por volta do século 10 a.C., uma pessoa decidiu escrever um livro. Pegou uma pena, nanquim e folhas de papiro (uma planta importada do Egito) e começou a contar uma história mágica, diferente de tudo o que já havia sido escrito. Era tão forte, mas tão forte, que virou uma obsessão. Durante os 1 000 anos seguintes, outras pessoas continuariam reescrevendo, rasurando e compilando aquele texto, que viria a se tornar o maior best seller de todos os tempos: a Bíblia. Ela apresentou uma teoria para o surgimento do homem, trouxe os fundamentos do judaísmo e do cristianismo, influenciou o surgimento do islã, mudou a história da arte – sem a Bíblia, não existiriam os afrescos de Michelangelo nem os quadros de Leonardo da Vinci – e nos legou noções básicas da vida moderna, como os direitos humanos e o livre-arbítrio. Mas quem escreveu, afinal, o livro mais importante que a humanidade já viu? Quem eram e o que pensavam essas pessoas? Como criaram o enredo, e quem ditou a voz e o estilo de Deus? O que está na Bíblia deve ser levado ao pé da letra, o que até hoje provoca conflitos armados? A resposta tradicional você já conhece: segundo a tradição judaico-cristã, o autor da Bíblia é o próprio Todo-Poderoso. E ponto final. Mas a verdade é um pouco mais complexa que isso.
A própria Igreja admite que a revelação divina só veio até nós por meio de mãos humanas. A palavra do Senhor é sagrada, mas foi escrita por reles mortais. Como não sobraram vestígios nem evidências concretas da maioria deles, a chave para encontrá-los está na própria Bíblia. Mas ela não é um simples livro: imagine as Escrituras como uma biblioteca inteira, que guarda textos montados pelo tempo, pela história e pela fé. Aliás, o termo “Bíblia”, que usamos no singular, vem do plural grego ta biblia ta hagia – “os livros sagrados”. A tradição religiosa sempre sustentou que cada livro bíblico foi escrito por um autor claramente identificável. Os 5 primeiros livros do Antigo Testamento (que no judaísmo se chamam Torá e no catolicismo Pentateuco) teriam sido escritos pelo profeta Moisés por volta de 1200 a.C. Os Salmos seriam obra do rei Davi, o autor de Juízes seria o profeta Samuel, e assim por diante. Hoje, a maioria dos estudiosos acredita que os livros sagrados foram um trabalho coletivo. E há uma boa explicação para isso.
As histórias da Bíblia derivam de lendas surgidas na chamada Terra de Canaã, que hoje corresponde a Líbano, Palestina, Israel e pedaços da Jordânia, do Egito e da Síria. Durante séculos acreditou-se que Canaã fora dominada pelos hebreus. Mas descobertas recentes da arqueologia revelam que, na maior parte do tempo, Canaã não foi um Estado, mas uma terra sem fronteiras habitada por diversos povos – os hebreus eram apenas uma entre muitas tribos que andavam por ali. Por isso, sua cultura e seus escritos foram fortemente influenciadas por vizinhos como os cananeus, que viviam ali desde o ano 5000 a.C. E eles não foram os únicos a influenciar as histórias do livro sagrado.
As raízes da árvore bíblica também remontam aos sumérios, antigos habitantes do atual Iraque, que no 3o milênio a.C. escreveram a Epopéia de Gilgamesh. Essa história, protagonizada pelo semideus Gilgamesh, menciona uma enchente que devasta o mundo (e da qual algumas pessoas se salvam construindo um barco). Notou semelhanças com a Bíblia e seus textos sobre o dilúvio, a arca de Noé, o fato de Cristo ser humano e divino ao mesmo tempo? Não é mera coincidência. “A Bíblia era uma obra aberta, com influências de muitas culturas”, afirma o especialista em história antiga Anderson Zalewsky Vargas, da UFRGS.
Foi entre os séculos 10 e 9 a.C. que os escritores hebreus começaram a colocar essa sopa multicultural no papel. Isso aconteceu após o reinado de Davi, que teria unificado as tribos hebraicas num pequeno e frágil reino por volta do ano 1000 a.C. A primeira versão das Escrituras foi redigida nessa época e corresponde à maior parte do que hoje são o Gênesis e o Êxodo. Nesses livros, o tema principal é a relação passional (e às vezes conflituosa) entre Deus e os homens. Só que, logo no começo da Beeblia, já existiu uma divergência sobre o papel do homem e do Senhor na história toda. Isso porque o personagem principal, Deus, é tratado por dois nomes diferentes.
Em alguns trechos ele é chamado pelo nome próprio, Yahweh – traduzido em português como Javé ou Jeová. É um tratamento informal, como se o autor fosse íntimo de Deus. Em outros pontos, o Todo-Poderoso é chamado de Elohim, um título respeitoso e distante (que pode ser traduzido simplesmente como “Deus”). Como se explica isso? Para os fundamentalistas, não tem conversa: Moisés escreveu tudo sozinho e usou os dois nomes simplesmente porque quis. Só que um trecho desse texto narra a morte do próprio Moisés. Isso indica que ele não é o único autor. Os historiadores e a maioria dos religiosos aceitam outra teoria: esses textos tiveram pelo menos outros dois editores.
Acredita-se que os trechos que falam de Javé sejam os mais antigos, escritos numa época em que a religiosidade era menos formal. Eles contêm uma passagem reveladora: antes da criação do mundo, “Yahweh não derramara chuva sobre a terra, e nem havia homem para lavrar o solo”. Essa frase, “não havia homem para lavrar o solo”, indica que, na primeira versão da Bíblia, o homem não era apenas mais uma criação de Deus – ele desempenha um papel ativo e fundamental na história toda. “Nesse relato, o homem é co-criador do mundo”, diz o teólogo Humberto Gonçalves, do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, no Rio Grande do Sul.
Pelo nome que usa para se referir a Deus (Javé), o autor desses trechos foi apelidado de Javista. Já o outro autor, que teria vivido por volta de 850 a.C., é apelidado de Eloísta. Mais sisudo e religioso, ele compôs uma narrativa bastante diferente. Ao contrário do Deus-Javé, que fez o mundo num único dia, o Deus-Elohim levou 6 (e descansou no 7o). Nessa história, a criação é um ato exclusivo de Deus, e o homem surge apenas no 6o dia, junto aos animais.
Tempos mais tarde, os dois relatos foram misturados por editores anônimos – e a narrativa do Eloísta, mais comportada, foi parar no início das Escrituras. Começando por aquela frase incrivelmente simples e poderosa, notória até entre quem nunca leu a Bíblia: “E, no início, Deus criou o céu e a terra...”
Em 589 a.C., Jerusalém foi arrasada pelos babilônios, e grande parte da população foi aprisionada e levada para o atual Iraque. Décadas depois, os hebreus foram libertados por Ciro, senhor do Império Persa – um conquistador “esclarecido”, que tinha tolerância religiosa. Aos poucos, os hebreus retornaram a Canaã – mas com sua fé transformada. Agora os sacerdotes judaicos rejeitavam o politeísmo e diziam que Javé era o único e absoluto deus do Universo. “O monoteísmo pode ter surgido pelo contato com os persas – a religião deles, o masdeísmo, pregava a existência de um deus bondoso, Ahura Mazda, em constante combate contra um deus maligno, Arimã. Essa noção se reflete até na idéia cristã de um combate entre Deus e o Diabo”, afirma Zalewsky, da UFRGS.
A versão final do Pentateuco surgiu por volta de 389 a.C. Nessa época, um religioso chamado Esdras liderou um grupo de sacerdotes que mudaram radicalmente o judaísmo – a começar por suas escrituras. Eles editaram os livros anteriores e escreveram a maior parte dos livros Deuteronômio, Números, Levítico e também um dos pontos altos da Bíblia: os 10 Mandamentos. Além de afirmar o monoteísmo sem sombra de dúvidas (“amarás a Deus acima de todas as coisas” é o primeiro mandamento), a reforma conduzida por Esdras impunha leis religiosas bem rígidas, como a proibição do casamento entre hebreus e não-hebreus. Algumas das leis encontradas no Levítico se assemelham à ética moderna dos direitos humanos: “Se um estrangeiro vier morar convosco, não o maltrates. Ama-o como se fosse um de vós”.
Outras passagens, no entanto, descrevem um Senhor belicoso, vingativo e sanguinário, que ordena o extermínio de cidades inteiras – mulheres e crianças incluídas. “Se a religião prega a compaixão, por que os textos sagrados têm tanto ódio?”, pergunta a historiadora americana Karen Armstrong, autora de um novo e provocativo estudo sobre a Bíblia. Para os especialistas, a violência do Antigo Testamento é fruto dos séculos de guerras com os assírios e os babilônios. Os autores do livro sagrado foram influenciados por essa atmosfera de ódio, e daí surgiram as histórias em que Deus se mostra bastante violento e até cruel. Os redatores da Bíblia estavam extravasando sua angústia.
Por volta do ano 200 a.C., o cânone (conjunto de livros sagrados) hebraico já estava finalizado e começou a se alastrar pelo Oriente Médio. A primeira tradução completa do Antigo Testamento é dessa época. Ela foi feita a mando do rei Ptolomeu 2o em Alexandria, no Egito, grande centro cultural da época. Segundo uma lenda, essa tradução (de hebraico para grego) foi realizada por 72 sábios judeus. Por isso, o texto é conhecido como Septuaginta. Além da tradução grega, também surgiram versões do Antigo Testamento no idioma aramaico – que era uma espécie de língua franca do Oriente Médio naquela época.
Dois séculos mais tarde, a Bíblia em aramaico estava bombando: ela era a mais lida na Judéia, na Samária e na Galiléia (províncias que formam os atuais territórios de Israel e da Palestina). Foi aí que um jovem judeu, grande personagem desta história, começou a se destacar. Como Sócrates, Buda e outros pensadores que mudaram o mundo, Jesus de Nazaré nada deixou por escrito – os primeiros textos sobre ele foram produzidos décadas após sua morte.
E o cristianismo já nasceu perseguido: por se recusarem a cultuar os deuses oficiais, os cristãos eram considerados subversivos pelo Império Romano, que dominava boa parte do Oriente Médio desde o século 1 a.C. Foi nesse clima de medo que os cristãos passaram a colocar no papel as histórias de Jesus, que circulavam em aramaico e também em coiné – um dialeto grego falado pelos mais pobres. “Os cristãos queriam compreender suas origens e debater seus problemas de identidade”, diz o teólogo Paulo Nogueira, da Universidade Metodista de São Paulo. Para fazer isso, criaram um novo gênero literário: o evangelho. Esse termo, que vem do grego evangélion (“boa-nova”), é um tipo de narrativa religiosa contando os milagres, os ensinamentos e a vida do Messias.
A maioria dos evangelhos escritos nos séculos 1 e 2 desapareceu. Naquela época, um “livro” era um amontoado de papiros avulsos, enrolados em forma de pergaminho, podendo ser facilmente extraviados e perdidos. Mas alguns evangelhos foram copiados e recopiados à mão, por membros da Igreja. Até que, por volta do século 4, tomaram o formato de códice – um conjunto de folhas de couro encadernadas, ancestral do livro moderno. O problema é que, a essa altura do campeonato, gerações e gerações de copiadores já haviam introduzido alterações nos textos originais – seja por descuido, seja de propósito. “Muitos erros foram feitos nas cópias, erros que às vezes mudaram o sentido dos textos. Em certos casos, tais erros foram também propositais, de acordo com a teologia do escrivão”, afirma o padre e teólogo Luigi Schiavo, da Universidade Católica de Goiás. Quer ver um exemplo?
Sabe aquela famosa cena em que Jesus salva uma adúltera prestes a ser apedrejada? De acordo com especialistas, esse trecho foi inserido no Evangelho de João por algum escriba, por volta do século 3. Isso porque, na época, o cristianismo estava cortando seu cordão umbilical com o judaísmo. E apedrejar adúlteras é uma das leis que os sacerdotes-escritores judeus haviam colocado no Pentateuco. A introdução da cena em que Jesus salva a adúltera passa a idéia de que os ensinamentos de Cristo haviam superado a Torá – e, portanto, os cristãos já não precisavam respeitar ao pé da letra todos os ensinamentos judeus.
A julgar pelo último livro da Bíblia cristã, o Apocalipse (que descreve o fim do mundo), o receio de ter suas narrativas “editadas” era comum entre os autores do Novo Testamento. No versículo 18, lê-se uma terrível ameaça: “Se alguém fizer acréscimos às páginas deste livro, Deus o castigará com as pragas descritas aqui”. Essa ameaça reflete bem o clima dos primeiros séculos do cristianismo: uma verdadeira baderna teológica, com montes de seitas defendendo idéias diferentes sobre Deus e o Messias. A seita dos docetas, por exemplo, acreditava que Jesus não teve um corpo físico. Ele seria um espírito, e sua crucificação e morte não passariam – literalmente – de ilusão de ótica. Já os ebionistas acreditavam que Jesus não nascera Filho de Deus, mas fora adotado, já adulto, pelo Senhor. A primeira tentativa de organizar esse caos das Escrituras ocorreu por volta de 142 – e o responsável não foi um clérigo, mas um rico comerciante de navios chamado Marcião.
A Bíblia segundo Marcião
Ele nasceu na atual Turquia, foi para Roma, converteu-se ao cristianismo, virou um teólogo influente e resolveu montar sua própria seleção de textos sagrados. A Bíblia de Marcião era bem diferente da que conhecemos hoje. Isso porque ele simpatizava com uma seita cristã hoje desaparecida, o gnosticismo. Para os gnósticos, o Deus do Velho Testamento não era o mesmo que enviara Jesus – na verdade, as duas divindades seriam inimigas mortais. O Deus hebraico era monstruoso e sanguinário, e controlava apenas o mundo material. Já o universo espiritual seria dominado por um Deus bondoso, o pai de Jesus. A Bíblia editada por Marcião continha apenas o Evangelho de João, 11 cartas de Paulo e nenhuma página do Velho Testamento. Se as idéias de Marcião tivessem triunfado, hoje as histórias de Adão e Eva no paraíso, a arca de Noé e a travessia do mar Vermelho não fariam parte da cultura ocidental. Mas, por volta de 170, o gnosticismo foi declarado proibido pelas autoridades eclesiásticas, e o primeiro editor da Bíblia cristã acabou excomungado.
Roma, até então pior inimiga dos cristãos, ia se rendendo à nova fé. Em 313, o imperador romano Constantino se aliou à Igreja. Ele pretendia usar a força crescente da nova religião para fortalecer seu império. Para isso, no entanto, precisava de uma fé una e sólida. A pressão de Constantino levou os mais influentes bispos cristãos a se reunirem no Concílio de Nicéia, em 325, para colocar ordem na casa de Deus. Ali, surgiu o cânone do cristianismo – a lista oficial de livros que, segundo a Igreja, realmente haviam sido inspirados por Deus.
“A escolha também era política. Um grupo afirmou seu poder e autoridade sobre os outros”, diz o padre Luigi. Esse grupo era o dos cristãos apostólicos, que ganharam poder ao se aliar com o Império Romano. Os apostólicos eram, por assim dizer, o “partido do governo”. E por isso definiram o que iria entrar, ou ser eliminado, das Escrituras.
Eles escolheram os evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João para representar a biografia oficial de Cristo, enquanto as invenções dos docetas, dos ebionistas e de outras seitas foram excluídas, e seus autores declarados hereges. Os textos excluídos do cânone ganharam o nome de “apócrifos” – palavra que vem do grego apocrypha, “o que foi ocultado”. A maioria dos apócrifos se perdeu – afinal de contas, os escribas da Igreja não estavam interessados em recopiá-los para a posteridade. Mas, com o surgimento da arqueologia, no século 19, pedaços desses textos foram encontrados nas areias do Oriente Médio. É o caso de um polêmico texto encontrado em 1886 no Egito. Ele é assinado por uma certa “Maria” que muitos acreditam ser a Madalena, discípula de Jesus, presente em vários trechos do Novo Testamento. O evangelho atribuído a ela é bem feminista: Madalena é descrita como uma figura tão importante quanto Pedro e os outros apóstolos. Nos primórdios do cristianismo, as mulheres eram aceitas no clero – e eram, inclusive, consideradas capazes de fazer profecias. Foi só no século 3 que o sacerdócio virou monopólio masculino, o que explicaria a censura da apóstola e seu testemunho. Aliás, tudo indica que Madalena não foi prostituta – idéia que teria surgido por um erro na interpretação do livro sagrado. No ano 591, o papa Gregório fez um sermão dizendo que Madalena e outra mulher, também citada nas Escrituras e essa sim ex-pecadora, na verdade seriam a mesma pessoa (em 1967, o Vaticano desfez o equívoco, limpando a reputação de Maria).
Na evolução da Bíblia, foram aparecendo vários trechos machistas – e suspeitos. É o caso de uma passagem atribuída ao apóstolo Paulo: “A mulher aprenda (...) com toda a sujeição. Não permito à mulher que ensine, nem que tenha domínio sobre o homem (...) porque Adão foi formado primeiro, e depois Eva”. É provável que Paulo jamais tenha escrito essas palavras – porque, na época em que ele viveu, o cristianismo não pregava a submissão da mulher. Acredita-se que essa parte tenha sido adicionada por algum escriba por volta do século 2.
Após a conversão do imperador Constantino, o eixo do cristianismo se deslocou do Oriente Médio para Roma. Só que, para completar a romanização da fé, faltava um passo: traduzir a palavra de Deus para o latim. A missão coube ao teólogo Eusebius Hyeronimus, que mais tarde viria a ser canonizado com o nome de são Jerônimo. Sob ordens do papa Damaso, ele viajou a Jerusalém em 406 para aprender hebraico e traduzir o Antigo e o Novo Testamento. Não foi nada fácil: o trabalho durou 17 anos.
Daí saiu a Vulgata, a Bíblia latina, que até hoje é o texto oficial da Igreja Católica. Essa é a Bíblia que todo mundo conhece. “A Vulgata foi o alicerce da Igreja no Ocidente”, explica o padre Luigi. Ela é tão influente, mas tão influente, que até seus erros de tradução se tornaram clássicos. Ao traduzir uma passagem do Êxodo que descreve o semblante do profeta Moisés, são Jerônimo escreveu em latim: cornuta esse facies sua, ou seja, “sua face tinha chifres”. Esse detalhe esquisito foi levado a sério por artistas como Michelangelo – sua famosa escultura representando Moisés, hoje exposta no Vaticano, está ornada com dois belos corninhos. Tudo porque Jerônimo tropeçou na palavra hebraica karan, que pode significar tanto “chifre” quanto “raio de luz”. A tradução correta está na Septuaginta: o profeta tinha o rosto iluminado, e não chifrudo. Apesar de erros como esse, a Vulgata reinou absoluta ao longo da Idade Média – durante séculos, não houve outras traduções.
O único jeito de disseminar o livro sagrado era copiá-lo à mão, tarefa realizada pelos monges copistas. Eles raramente saíam dos mosteiros e passavam a vida copiando e catalogando manuscritos antigos. Só que, às vezes, também se metiam a fazer o papel de autores.
Após a queda do Império Romano, grande parte da literatura da Antiguidade grega e romana se perdeu – foi graças ao trabalho dos monges copistas que livros como a Ilíada e a Odisséia chegaram até nós. Mas alguns deles eram meio malandros: costumavam interpolar textos nas Escrituras Sagradas para agradar a reis e imperadores. No século 15, por exemplo, monges espanhóis trocaram o termo “babilônios” por “infiéis” no texto do Antigo Testamento – um truque para atacar os muçulmanos, que disputavam com os espanhóis a posse da península Ibérica.
Escrituras em série
Tudo isso mudou após a invenção da imprensa, em 1455. Agora ninguém mais dependia dos copistas para multiplicar os exemplares da Bíblia. Por isso, o grande foco de mudanças no texto sagrado passou a ser outro: as traduções.Em 1522, o pastor Martinho Lutero usou a imprensa para divulgar em massa sua tradução da Bíblia, que tinha feito direto do hebraico e do grego para o alemão. Era a primeira vez que o texto sagrado era vertido numa língua moderna – e a nova versão trouxe várias mudanças, que provocavam a Igreja (veja quadro na pág. 65). Logo depois um britânico, William Tyndale, ousou traduzir a Bíblia para o inglês. No Novo Testamento, ele traduziu a palavra ecclesia por “congregação”, em vez de “igreja”, o termo preferido pelas traduções católicas. A mudança nessa palavrinha era um desafio ao poder dos papas: como era protestante, Tyndale tinha suas diferenças com a Igreja. Resultado? Ele foi queimado como herege em 1536. Mas até hoje seu trabalho é referência para as versões inglesas do livro sagrado.
A Bíblia chegou ao nosso idioma em 1753 – quando foi publicada sua primeira tradução completa para o português, feita pelo protestante João Ferreira de Almeida. Hoje, a tradução considerada oficial é a feita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e lançada em 2001. Ela é considerada mais simples e coloquial que as traduções anteriores. De lá para cá, a Bíblia ganhou o mundo e as línguas. Já foi vertida para mais de 300 idiomas e continua um dos livros mais influentes do mundo: todos os anos, são publicadas 11 milhões de cópias do texto integral, e 14 milhões só do Novo Testamento.
Depois de tantos séculos de versões e contra-versões, ainda não há consenso sobre a forma certa de traduzi-la. Alguns buscam traduções mais próximas do sentido e da época original – como as passagens traduzidas do hebraico pelo lingüista David Rosenberg na obra O Livro de J, de 1990. Outros acham que a Bíblia deve ser modernizada para atrair leitores. O lingüista Eugene Nida, que verteu a Bíblia na década de 1960, chegou ao extremo de traduzir a palavra “sestércios”, a antiga moeda romana, por “dólares”. Em 2008, duas versões igualmente ousadas estão agitando as Escrituras: a Green Bible (“Bíblia Verde”, ainda sem versão em português), que destaca 1 000 passagens relacionadas à ecologia – como o momento em que Jó fala sobre os animais –, e a Bible Illuminated (‘Bíblia Iluminada”, em inglês), com design ultramoderno e fotos de celebridades como Nelson Mandela e Angelina Jolie.
A Bíblia se transforma, mas uma coisa não muda: cada pessoa, ou grupo de pessoas, a interpreta de uma maneira diferente – às vezes, com propósitos equivocados. Em pleno século 21, pastores fundamentalistas tentam proibir o ensino da Teoria da Evolução nas escolas dos EUA, sendo que a própria Igreja aceita as teorias de Darwin desde a década de 1950. Líderes como o pastor Jerry Falwell defendem o retorno da escravidão e o apedrejamento de adúlteros, e no Oriente Médio rabinos extremistas usam trechos da Torá para justificar a ocupação de terras árabes. Por quê? Porque está na Bíblia, dizem os radicais. Não é nada disso. Hoje, os principais estudiosos afirmam que a Bíblia não deve ser lida como um manual de regras literais – e sim como o relato da jornada, tortuosa e cheia de percalços, do ser humano em busca de Deus. Porque esse é, afinal, o verdadeiro sentido dessa árvore de histórias regada há 3 mil anos por centenas de mãos, cabeças e corações humanos: a crença num sentido transcendente da existência.
Top 5 pragas
I. Quando os hebreus eram escravos no Egito, o Senhor enviou 10 pragas contra os opressores do povo escolhido. A primeira delas foi transformar toda a água do país em sangue (Êxodo 7:21).
II. Como o faraó não libertava os hebreus, o Senhor radicalizou: matou, numa só noite, todos os primogênitos do Egito. “E houve grande clamor no país, pois não havia casa onde não houvesse um morto” (Êxodo 12:30).
III. Desgostoso com os pecados de Sodoma e Gomorra, Deus destruiu as duas cidades com uma chuvarada de fogo e enxofre (Gênesis 19:24).
IV. Para punir as desobediências do rei Davi, o Senhor enviou uma doença não identificada, que matou 70 mil homens e 200 mil mulheres e crianças (2 Samuel, 24: 1-13).
V. Quando a nação dos filisteus roubou a arca da Aliança, onde estavam guardados os 10 Mandamentos, o Senhor os castigou com um surto de hemorróidas letais. “Os intestinos lhes saíam para fora e apodreciam” (1 Samuel 5:9) .
Os possíveis autores
1200 a.C. - Moisés
Segundo uma lenda judaica, a Torá (obra precursora da Bíblia) teria sido escrita por ele. Mas há controvérsias, pois existe um trecho da Torá que diz: “Moisés morreu e foi sepultado pelo Senhor próximo a Fegor”. Ora, se Moisés é o autor do texto, como ele poderia ter relatado a própria morte?
1000 a.C. - Javista
Viveu na corte do rei Davi, no antigo reino de Israel, e era um aristocrata. Ou, quem sabe, uma aristocrata: para o crítico Harold Bloom, Javista era mulher. Isso porque os personagens femininos da Bíblia (Eva e Sara, por exemplo) são muito mais elaborados que os masculinos.
Século 4 a.C. - Esdras
Líder religioso que reformou o judaísmo e possível editor do Pentateuco (5 primeiros livros da Bíblia). Vários trechos bíblicos editados por ele pregam a violência: “Derrubareis todos os altares dos povos que ides expropriar, queimareis as casas, e mudareis os nomes desses lugares”.
Século 1 - Paulo
Nunca viu Cristo pessoalmente, mas foi o primeiro a escrever sobre ele. Nascido na Turquia, Paulo viajou e fundou igrejas pelo Oriente Médio. Ele escrevia cartas para essas igrejas, contando a incrível aventura de um tal Jesus – que foi crucificado e ressuscitou.
Século 1 - Maria Madalena
Estava entre os discípulos favoritos de Jesus – e, diferentemente do que o Vaticano sustentou durante séculos, nunca foi prostituta. Pelo contrário: tinha influência no cristianismo e é a suposta autora do Apócrifo de Maria, um livro em que fala sobre sua relação pessoal com Jesus e divulga os ensinamentos dele.
Século 1 - João
Escreveu o 4o evangelho do Novo Testamento (João) e o Livro do Apocalipse, o último da Bíblia. Para ele, Jesus não é apenas um messias – é um ser sobrenatural, a própria encarnação de Deus. Essa interpretação mística marca a ruptura definitiva entre judaísmo e fé cristã.
Século 5 - Jerônimo
Nascido no território da atual Hungria, este padre foi enviado a Jerusalém com uma missão importantíssima: traduzir a Bíblia do grego para o latim. Cometeu alguns erros, como dizer que o profeta Moisés tinha chifres (uma confusão com a palavra hebraica karan, que na verdade significa “raio de luz”).
Século 16 - William Tyndale
Possuir trechos da Bíblia em qualquer idioma que não fosse o latim era crime. O professor Tyndale não quis nem saber, traduziu tudo para o inglês, e acabou na fogueira. Mas seu trabalho foi incrivelmente influente: é a base da chamada “Bíblia do Rei James”, até hoje a tradução mais lida nos países de língua inglesa.
Top 5 matanças
I. Um grupo de meninos malcriados zombou da calvície do profeta Eliseu. Pra quê! Na hora, dois ursos famintos saíram de um bosque e comeram as crianças (2 Reis 2:24).
II. Cercado por um exército de filisteus, o herói Sansão apanhou a mandíbula de um jumento morto. Usando o osso como arma, ele massacrou mil inimigos (Juízes, 15:16).
III. O profeta Elias convidou os sacerdotes do deus Baal para uma competição de orações. Era uma armadilha: Elias incitou o povo, que linchou os pagãos (1 Reis 18:40).
VI. Os judeus haviam perdido a fé e começaram a adorar um bezerro de ouro. Moisés ficou furioso e mandou sacerdotes levitas matar 3 mil infiéis (Êxodo 32:19).
V. A nação dos amalequitas disputava o território de Canaã com os judeus. O Senhor ordena que todos os amalequitas sejam chacinados (1 Samuel 15:18).
Top 5 satanagens
I. Após a destruição de Sodoma, os únicos sobreviventes eram Ló e suas duas filhas. As filhas de Lot embebedaram o pai e tiveram com ele a noite mais incestuosa da Bíblia (Gênesis 19:31).
II. O Cântico dos Cânticos, atribuído ao rei Salomão, é altamente erótico. Um dos trechos: “Teu corpo é como a palmeira, e teus seios, como cachos de uvas” (Cânticos 7:7).
III. Os anjos do Senhor tiveram chamegos ilícitos com mulheres mortais. “Vendo os Filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram-nas como mulheres, tantas quanto desejaram” (Gênesis 6:2).
IV. A Bíblia diz que os antigos egípcios eram muito bem-dotados. Após a fuga para Canaã, a judia Ooliba tem saudades dos tempos em que se prostituía no Egito. Tudo porque “seus amantes (...) ejaculavam como cavalos” (Ezequiel 23:20).
V. O hebreu Onã casou com a viúva de seu irmão, mas não conseguia fazer sexo com ela – preferia o prazer solitário. Do nome dele vem o termo “onanismo”, que significa masturbação (Gênesis 38:9).
As história da história
Como o livro sagrado evoluiu ao longo dos tempos
Tanach - Século 5 a.C.
É a Bíblia judaica, e tem 3 livros: Torá (palavra hebraica que significa “lei”), Nebiim (“profetas”) e Ketuvim (“escritos”). É parecida com a Bíblia atual, pois os católicos copiaram seus escritos. Contém as sementes do monoteísmo e da ética religiosa, mas também pregações de violência. A primeira das bíblias tem trechos ambíguos e misteriosos – algumas passagens dão a entender que Javé não é o único deus do Universo.
Septuaginta - Século 3 a.C.
O Oriente Médio era dominado pelos gregos e pelos macedônios. Muitos judeus viviam em cidades de cultura grega, como Alexandria, e desejavam adaptar sua religião aos novos tempos. Diz a lenda que Ptolomeu, rei do Egito, reuniu um grupo de 72 sábios judeus para traduzir a Tanach – e fizeram tudo em 72 dias. Por isso, o resultado é conhecido como Septuaginta. Inclui textos que não constam da Tanach.
Novo Testamento - Século 1
A língua do Antigo Testamento é o hebraico, mas o Novo Testamento foi escrito num dialeto grego chamado coiné. Contém os relatos sobre vida, milagres, morte e ressurreição de Jesus – os evangelhos. Em alguns trechos, vai deixando evidente a divergência entre cristianismo e judaísmo. É o caso, por exemplo, do Evangelho de João, em que Jesus é descrito como uma encarnação de Deus (coisa na qual os judeus não acreditavam).
Católica - Século 4
Seus autores decidiram incluir 7 livros que os judeus não reconheciam. São os chamados Deuterocanônicos: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, Macabeus 1 e 2 (mais trechos dos livros Daniel e Ester). A Bíblia católica bate na tecla do monoteísmo: a palavra hebraica Elohim, usada na Tanach para designar a divindade, é o plural de El, um deus cananeu. Mas foi traduzida no singular e virou “Senhor”.
Ortodoxa - Por volta do século 4
É baseada na Septuaginta, mas também inclui livros considerados apócrifos por católicos e protestantes: Esdras 1, Macabeus 3 e 4 e o Salmo 151. A tradução é mais exata (nesta Bíblia, Moisés nunca teve chifres, um erro de tradução introduzido pela Bíblia latina), e os escritos não são levados ao pé da letra: para os ortodoxos, o que conta são as interpretações do texto bíblico, feitas por teólogos ao longo dos séculos.
Protestante - Século 16
Ao traduzir a Bíblia para o alemão, Martinho Lutero excluiu os livros Deuterocanônicos e mudou algumas coisas. Um exemplo é a palavra grega metanoia, que na Bíblia católica significa “fazer penitência” – uma referência à confissão dos pecados, um dos sacramentos católicos. Já Lutero traduziu metanoia como “reviravolta”. Para ele, confessar os pecados era inútil. O importante era transformar a vida pela fé.
Top 5 milagres
I. O maior de todos os milagres divinos foi o primeiro: a Criação do mundo, pelo poder da palavra. “E Deus disse: que haja luz. E houve luz” (Gênesis 1:3).
II. Para dar-lhe uma amostra de seus poderes, o Senhor leva Ezequiel a um campo cheio de esqueletos – e os traz de volta à vida. “O vento do Senhor soprou neles, e viveram” (Ezequiel, 37; 1-28).
III. Graças à benção divina, o herói Sansão tinha a força de muitos homens. Certa vez, foi atacado por um leão. “O espírito do Senhor deu-lhe poder, e Sansão destroçou a fera com as próprias mãos, como se matasse um cabrito” (Juízes 14:6).
IV. Josué liderava uma batalha contra os amalequitas, mas o Sol estava se pondo. Como não queria lutar no escuro, o hebreu pediu ajuda divina – e o Sol ficou no céu (Josué 10:13).
V. Para fugir do Egito, os hebreus precisavam atravessar o mar Vermelho. E não tinham navios. Moisés ergueu seu bastão e as águas do mar se dividiram. Após a passagem dos hebreus, o profeta deixou que as ondas se fechassem sobre os exércitos do faraó (Êxodo 14; 21-30).
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Quem escreveu a Bíblia?
A história de Deus foi escrita pelos homens. Mas quem é o autor do livro mais influente de todos os tempos? As respostas são surpreendentes - e vão mudar sua maneira de ver as Escrituras
por Texto José Francisco Botelho
Em algum lugar do Oriente Médio, por volta do século 10 a.C., uma pessoa decidiu escrever um livro. Pegou uma pena, nanquim e folhas de papiro (uma planta importada do Egito) e começou a contar uma história mágica, diferente de tudo o que já havia sido escrito. Era tão forte, mas tão forte, que virou uma obsessão. Durante os 1 000 anos seguintes, outras pessoas continuariam reescrevendo, rasurando e compilando aquele texto, que viria a se tornar o maior best seller de todos os tempos: a Bíblia. Ela apresentou uma teoria para o surgimento do homem, trouxe os fundamentos do judaísmo e do cristianismo, influenciou o surgimento do islã, mudou a história da arte – sem a Bíblia, não existiriam os afrescos de Michelangelo nem os quadros de Leonardo da Vinci – e nos legou noções básicas da vida moderna, como os direitos humanos e o livre-arbítrio. Mas quem escreveu, afinal, o livro mais importante que a humanidade já viu? Quem eram e o que pensavam essas pessoas? Como criaram o enredo, e quem ditou a voz e o estilo de Deus? O que está na Bíblia deve ser levado ao pé da letra, o que até hoje provoca conflitos armados? A resposta tradicional você já conhece: segundo a tradição judaico-cristã, o autor da Bíblia é o próprio Todo-Poderoso. E ponto final. Mas a verdade é um pouco mais complexa que isso.
A própria Igreja admite que a revelação divina só veio até nós por meio de mãos humanas. A palavra do Senhor é sagrada, mas foi escrita por reles mortais. Como não sobraram vestígios nem evidências concretas da maioria deles, a chave para encontrá-los está na própria Bíblia. Mas ela não é um simples livro: imagine as Escrituras como uma biblioteca inteira, que guarda textos montados pelo tempo, pela história e pela fé. Aliás, o termo “Bíblia”, que usamos no singular, vem do plural grego ta biblia ta hagia – “os livros sagrados”. A tradição religiosa sempre sustentou que cada livro bíblico foi escrito por um autor claramente identificável. Os 5 primeiros livros do Antigo Testamento (que no judaísmo se chamam Torá e no catolicismo Pentateuco) teriam sido escritos pelo profeta Moisés por volta de 1200 a.C. Os Salmos seriam obra do rei Davi, o autor de Juízes seria o profeta Samuel, e assim por diante. Hoje, a maioria dos estudiosos acredita que os livros sagrados foram um trabalho coletivo. E há uma boa explicação para isso.
As histórias da Bíblia derivam de lendas surgidas na chamada Terra de Canaã, que hoje corresponde a Líbano, Palestina, Israel e pedaços da Jordânia, do Egito e da Síria. Durante séculos acreditou-se que Canaã fora dominada pelos hebreus. Mas descobertas recentes da arqueologia revelam que, na maior parte do tempo, Canaã não foi um Estado, mas uma terra sem fronteiras habitada por diversos povos – os hebreus eram apenas uma entre muitas tribos que andavam por ali. Por isso, sua cultura e seus escritos foram fortemente influenciadas por vizinhos como os cananeus, que viviam ali desde o ano 5000 a.C. E eles não foram os únicos a influenciar as histórias do livro sagrado.
As raízes da árvore bíblica também remontam aos sumérios, antigos habitantes do atual Iraque, que no 3o milênio a.C. escreveram a Epopéia de Gilgamesh. Essa história, protagonizada pelo semideus Gilgamesh, menciona uma enchente que devasta o mundo (e da qual algumas pessoas se salvam construindo um barco). Notou semelhanças com a Bíblia e seus textos sobre o dilúvio, a arca de Noé, o fato de Cristo ser humano e divino ao mesmo tempo? Não é mera coincidência. “A Bíblia era uma obra aberta, com influências de muitas culturas”, afirma o especialista em história antiga Anderson Zalewsky Vargas, da UFRGS.
Foi entre os séculos 10 e 9 a.C. que os escritores hebreus começaram a colocar essa sopa multicultural no papel. Isso aconteceu após o reinado de Davi, que teria unificado as tribos hebraicas num pequeno e frágil reino por volta do ano 1000 a.C. A primeira versão das Escrituras foi redigida nessa época e corresponde à maior parte do que hoje são o Gênesis e o Êxodo. Nesses livros, o tema principal é a relação passional (e às vezes conflituosa) entre Deus e os homens. Só que, logo no começo da Beeblia, já existiu uma divergência sobre o papel do homem e do Senhor na história toda. Isso porque o personagem principal, Deus, é tratado por dois nomes diferentes.
Em alguns trechos ele é chamado pelo nome próprio, Yahweh – traduzido em português como Javé ou Jeová. É um tratamento informal, como se o autor fosse íntimo de Deus. Em outros pontos, o Todo-Poderoso é chamado de Elohim, um título respeitoso e distante (que pode ser traduzido simplesmente como “Deus”). Como se explica isso? Para os fundamentalistas, não tem conversa: Moisés escreveu tudo sozinho e usou os dois nomes simplesmente porque quis. Só que um trecho desse texto narra a morte do próprio Moisés. Isso indica que ele não é o único autor. Os historiadores e a maioria dos religiosos aceitam outra teoria: esses textos tiveram pelo menos outros dois editores.
Acredita-se que os trechos que falam de Javé sejam os mais antigos, escritos numa época em que a religiosidade era menos formal. Eles contêm uma passagem reveladora: antes da criação do mundo, “Yahweh não derramara chuva sobre a terra, e nem havia homem para lavrar o solo”. Essa frase, “não havia homem para lavrar o solo”, indica que, na primeira versão da Bíblia, o homem não era apenas mais uma criação de Deus – ele desempenha um papel ativo e fundamental na história toda. “Nesse relato, o homem é co-criador do mundo”, diz o teólogo Humberto Gonçalves, do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, no Rio Grande do Sul.
Pelo nome que usa para se referir a Deus (Javé), o autor desses trechos foi apelidado de Javista. Já o outro autor, que teria vivido por volta de 850 a.C., é apelidado de Eloísta. Mais sisudo e religioso, ele compôs uma narrativa bastante diferente. Ao contrário do Deus-Javé, que fez o mundo num único dia, o Deus-Elohim levou 6 (e descansou no 7o). Nessa história, a criação é um ato exclusivo de Deus, e o homem surge apenas no 6o dia, junto aos animais.
Tempos mais tarde, os dois relatos foram misturados por editores anônimos – e a narrativa do Eloísta, mais comportada, foi parar no início das Escrituras. Começando por aquela frase incrivelmente simples e poderosa, notória até entre quem nunca leu a Bíblia: “E, no início, Deus criou o céu e a terra...”
Em 589 a.C., Jerusalém foi arrasada pelos babilônios, e grande parte da população foi aprisionada e levada para o atual Iraque. Décadas depois, os hebreus foram libertados por Ciro, senhor do Império Persa – um conquistador “esclarecido”, que tinha tolerância religiosa. Aos poucos, os hebreus retornaram a Canaã – mas com sua fé transformada. Agora os sacerdotes judaicos rejeitavam o politeísmo e diziam que Javé era o único e absoluto deus do Universo. “O monoteísmo pode ter surgido pelo contato com os persas – a religião deles, o masdeísmo, pregava a existência de um deus bondoso, Ahura Mazda, em constante combate contra um deus maligno, Arimã. Essa noção se reflete até na idéia cristã de um combate entre Deus e o Diabo”, afirma Zalewsky, da UFRGS.
A versão final do Pentateuco surgiu por volta de 389 a.C. Nessa época, um religioso chamado Esdras liderou um grupo de sacerdotes que mudaram radicalmente o judaísmo – a começar por suas escrituras. Eles editaram os livros anteriores e escreveram a maior parte dos livros Deuteronômio, Números, Levítico e também um dos pontos altos da Bíblia: os 10 Mandamentos. Além de afirmar o monoteísmo sem sombra de dúvidas (“amarás a Deus acima de todas as coisas” é o primeiro mandamento), a reforma conduzida por Esdras impunha leis religiosas bem rígidas, como a proibição do casamento entre hebreus e não-hebreus. Algumas das leis encontradas no Levítico se assemelham à ética moderna dos direitos humanos: “Se um estrangeiro vier morar convosco, não o maltrates. Ama-o como se fosse um de vós”.
Outras passagens, no entanto, descrevem um Senhor belicoso, vingativo e sanguinário, que ordena o extermínio de cidades inteiras – mulheres e crianças incluídas. “Se a religião prega a compaixão, por que os textos sagrados têm tanto ódio?”, pergunta a historiadora americana Karen Armstrong, autora de um novo e provocativo estudo sobre a Bíblia. Para os especialistas, a violência do Antigo Testamento é fruto dos séculos de guerras com os assírios e os babilônios. Os autores do livro sagrado foram influenciados por essa atmosfera de ódio, e daí surgiram as histórias em que Deus se mostra bastante violento e até cruel. Os redatores da Bíblia estavam extravasando sua angústia.
Por volta do ano 200 a.C., o cânone (conjunto de livros sagrados) hebraico já estava finalizado e começou a se alastrar pelo Oriente Médio. A primeira tradução completa do Antigo Testamento é dessa época. Ela foi feita a mando do rei Ptolomeu 2o em Alexandria, no Egito, grande centro cultural da época. Segundo uma lenda, essa tradução (de hebraico para grego) foi realizada por 72 sábios judeus. Por isso, o texto é conhecido como Septuaginta. Além da tradução grega, também surgiram versões do Antigo Testamento no idioma aramaico – que era uma espécie de língua franca do Oriente Médio naquela época.
Dois séculos mais tarde, a Bíblia em aramaico estava bombando: ela era a mais lida na Judéia, na Samária e na Galiléia (províncias que formam os atuais territórios de Israel e da Palestina). Foi aí que um jovem judeu, grande personagem desta história, começou a se destacar. Como Sócrates, Buda e outros pensadores que mudaram o mundo, Jesus de Nazaré nada deixou por escrito – os primeiros textos sobre ele foram produzidos décadas após sua morte.
E o cristianismo já nasceu perseguido: por se recusarem a cultuar os deuses oficiais, os cristãos eram considerados subversivos pelo Império Romano, que dominava boa parte do Oriente Médio desde o século 1 a.C. Foi nesse clima de medo que os cristãos passaram a colocar no papel as histórias de Jesus, que circulavam em aramaico e também em coiné – um dialeto grego falado pelos mais pobres. “Os cristãos queriam compreender suas origens e debater seus problemas de identidade”, diz o teólogo Paulo Nogueira, da Universidade Metodista de São Paulo. Para fazer isso, criaram um novo gênero literário: o evangelho. Esse termo, que vem do grego evangélion (“boa-nova”), é um tipo de narrativa religiosa contando os milagres, os ensinamentos e a vida do Messias.
A maioria dos evangelhos escritos nos séculos 1 e 2 desapareceu. Naquela época, um “livro” era um amontoado de papiros avulsos, enrolados em forma de pergaminho, podendo ser facilmente extraviados e perdidos. Mas alguns evangelhos foram copiados e recopiados à mão, por membros da Igreja. Até que, por volta do século 4, tomaram o formato de códice – um conjunto de folhas de couro encadernadas, ancestral do livro moderno. O problema é que, a essa altura do campeonato, gerações e gerações de copiadores já haviam introduzido alterações nos textos originais – seja por descuido, seja de propósito. “Muitos erros foram feitos nas cópias, erros que às vezes mudaram o sentido dos textos. Em certos casos, tais erros foram também propositais, de acordo com a teologia do escrivão”, afirma o padre e teólogo Luigi Schiavo, da Universidade Católica de Goiás. Quer ver um exemplo?
Sabe aquela famosa cena em que Jesus salva uma adúltera prestes a ser apedrejada? De acordo com especialistas, esse trecho foi inserido no Evangelho de João por algum escriba, por volta do século 3. Isso porque, na época, o cristianismo estava cortando seu cordão umbilical com o judaísmo. E apedrejar adúlteras é uma das leis que os sacerdotes-escritores judeus haviam colocado no Pentateuco. A introdução da cena em que Jesus salva a adúltera passa a idéia de que os ensinamentos de Cristo haviam superado a Torá – e, portanto, os cristãos já não precisavam respeitar ao pé da letra todos os ensinamentos judeus.
A julgar pelo último livro da Bíblia cristã, o Apocalipse (que descreve o fim do mundo), o receio de ter suas narrativas “editadas” era comum entre os autores do Novo Testamento. No versículo 18, lê-se uma terrível ameaça: “Se alguém fizer acréscimos às páginas deste livro, Deus o castigará com as pragas descritas aqui”. Essa ameaça reflete bem o clima dos primeiros séculos do cristianismo: uma verdadeira baderna teológica, com montes de seitas defendendo idéias diferentes sobre Deus e o Messias. A seita dos docetas, por exemplo, acreditava que Jesus não teve um corpo físico. Ele seria um espírito, e sua crucificação e morte não passariam – literalmente – de ilusão de ótica. Já os ebionistas acreditavam que Jesus não nascera Filho de Deus, mas fora adotado, já adulto, pelo Senhor. A primeira tentativa de organizar esse caos das Escrituras ocorreu por volta de 142 – e o responsável não foi um clérigo, mas um rico comerciante de navios chamado Marcião.
A Bíblia segundo Marcião
Ele nasceu na atual Turquia, foi para Roma, converteu-se ao cristianismo, virou um teólogo influente e resolveu montar sua própria seleção de textos sagrados. A Bíblia de Marcião era bem diferente da que conhecemos hoje. Isso porque ele simpatizava com uma seita cristã hoje desaparecida, o gnosticismo. Para os gnósticos, o Deus do Velho Testamento não era o mesmo que enviara Jesus – na verdade, as duas divindades seriam inimigas mortais. O Deus hebraico era monstruoso e sanguinário, e controlava apenas o mundo material. Já o universo espiritual seria dominado por um Deus bondoso, o pai de Jesus. A Bíblia editada por Marcião continha apenas o Evangelho de João, 11 cartas de Paulo e nenhuma página do Velho Testamento. Se as idéias de Marcião tivessem triunfado, hoje as histórias de Adão e Eva no paraíso, a arca de Noé e a travessia do mar Vermelho não fariam parte da cultura ocidental. Mas, por volta de 170, o gnosticismo foi declarado proibido pelas autoridades eclesiásticas, e o primeiro editor da Bíblia cristã acabou excomungado.
Roma, até então pior inimiga dos cristãos, ia se rendendo à nova fé. Em 313, o imperador romano Constantino se aliou à Igreja. Ele pretendia usar a força crescente da nova religião para fortalecer seu império. Para isso, no entanto, precisava de uma fé una e sólida. A pressão de Constantino levou os mais influentes bispos cristãos a se reunirem no Concílio de Nicéia, em 325, para colocar ordem na casa de Deus. Ali, surgiu o cânone do cristianismo – a lista oficial de livros que, segundo a Igreja, realmente haviam sido inspirados por Deus.
“A escolha também era política. Um grupo afirmou seu poder e autoridade sobre os outros”, diz o padre Luigi. Esse grupo era o dos cristãos apostólicos, que ganharam poder ao se aliar com o Império Romano. Os apostólicos eram, por assim dizer, o “partido do governo”. E por isso definiram o que iria entrar, ou ser eliminado, das Escrituras.
Eles escolheram os evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João para representar a biografia oficial de Cristo, enquanto as invenções dos docetas, dos ebionistas e de outras seitas foram excluídas, e seus autores declarados hereges. Os textos excluídos do cânone ganharam o nome de “apócrifos” – palavra que vem do grego apocrypha, “o que foi ocultado”. A maioria dos apócrifos se perdeu – afinal de contas, os escribas da Igreja não estavam interessados em recopiá-los para a posteridade. Mas, com o surgimento da arqueologia, no século 19, pedaços desses textos foram encontrados nas areias do Oriente Médio. É o caso de um polêmico texto encontrado em 1886 no Egito. Ele é assinado por uma certa “Maria” que muitos acreditam ser a Madalena, discípula de Jesus, presente em vários trechos do Novo Testamento. O evangelho atribuído a ela é bem feminista: Madalena é descrita como uma figura tão importante quanto Pedro e os outros apóstolos. Nos primórdios do cristianismo, as mulheres eram aceitas no clero – e eram, inclusive, consideradas capazes de fazer profecias. Foi só no século 3 que o sacerdócio virou monopólio masculino, o que explicaria a censura da apóstola e seu testemunho. Aliás, tudo indica que Madalena não foi prostituta – idéia que teria surgido por um erro na interpretação do livro sagrado. No ano 591, o papa Gregório fez um sermão dizendo que Madalena e outra mulher, também citada nas Escrituras e essa sim ex-pecadora, na verdade seriam a mesma pessoa (em 1967, o Vaticano desfez o equívoco, limpando a reputação de Maria).
Na evolução da Bíblia, foram aparecendo vários trechos machistas – e suspeitos. É o caso de uma passagem atribuída ao apóstolo Paulo: “A mulher aprenda (...) com toda a sujeição. Não permito à mulher que ensine, nem que tenha domínio sobre o homem (...) porque Adão foi formado primeiro, e depois Eva”. É provável que Paulo jamais tenha escrito essas palavras – porque, na época em que ele viveu, o cristianismo não pregava a submissão da mulher. Acredita-se que essa parte tenha sido adicionada por algum escriba por volta do século 2.
Após a conversão do imperador Constantino, o eixo do cristianismo se deslocou do Oriente Médio para Roma. Só que, para completar a romanização da fé, faltava um passo: traduzir a palavra de Deus para o latim. A missão coube ao teólogo Eusebius Hyeronimus, que mais tarde viria a ser canonizado com o nome de são Jerônimo. Sob ordens do papa Damaso, ele viajou a Jerusalém em 406 para aprender hebraico e traduzir o Antigo e o Novo Testamento. Não foi nada fácil: o trabalho durou 17 anos.
Daí saiu a Vulgata, a Bíblia latina, que até hoje é o texto oficial da Igreja Católica. Essa é a Bíblia que todo mundo conhece. “A Vulgata foi o alicerce da Igreja no Ocidente”, explica o padre Luigi. Ela é tão influente, mas tão influente, que até seus erros de tradução se tornaram clássicos. Ao traduzir uma passagem do Êxodo que descreve o semblante do profeta Moisés, são Jerônimo escreveu em latim: cornuta esse facies sua, ou seja, “sua face tinha chifres”. Esse detalhe esquisito foi levado a sério por artistas como Michelangelo – sua famosa escultura representando Moisés, hoje exposta no Vaticano, está ornada com dois belos corninhos. Tudo porque Jerônimo tropeçou na palavra hebraica karan, que pode significar tanto “chifre” quanto “raio de luz”. A tradução correta está na Septuaginta: o profeta tinha o rosto iluminado, e não chifrudo. Apesar de erros como esse, a Vulgata reinou absoluta ao longo da Idade Média – durante séculos, não houve outras traduções.
O único jeito de disseminar o livro sagrado era copiá-lo à mão, tarefa realizada pelos monges copistas. Eles raramente saíam dos mosteiros e passavam a vida copiando e catalogando manuscritos antigos. Só que, às vezes, também se metiam a fazer o papel de autores.
Após a queda do Império Romano, grande parte da literatura da Antiguidade grega e romana se perdeu – foi graças ao trabalho dos monges copistas que livros como a Ilíada e a Odisséia chegaram até nós. Mas alguns deles eram meio malandros: costumavam interpolar textos nas Escrituras Sagradas para agradar a reis e imperadores. No século 15, por exemplo, monges espanhóis trocaram o termo “babilônios” por “infiéis” no texto do Antigo Testamento – um truque para atacar os muçulmanos, que disputavam com os espanhóis a posse da península Ibérica.
Escrituras em série
Tudo isso mudou após a invenção da imprensa, em 1455. Agora ninguém mais dependia dos copistas para multiplicar os exemplares da Bíblia. Por isso, o grande foco de mudanças no texto sagrado passou a ser outro: as traduções.Em 1522, o pastor Martinho Lutero usou a imprensa para divulgar em massa sua tradução da Bíblia, que tinha feito direto do hebraico e do grego para o alemão. Era a primeira vez que o texto sagrado era vertido numa língua moderna – e a nova versão trouxe várias mudanças, que provocavam a Igreja (veja quadro na pág. 65). Logo depois um britânico, William Tyndale, ousou traduzir a Bíblia para o inglês. No Novo Testamento, ele traduziu a palavra ecclesia por “congregação”, em vez de “igreja”, o termo preferido pelas traduções católicas. A mudança nessa palavrinha era um desafio ao poder dos papas: como era protestante, Tyndale tinha suas diferenças com a Igreja. Resultado? Ele foi queimado como herege em 1536. Mas até hoje seu trabalho é referência para as versões inglesas do livro sagrado.
A Bíblia chegou ao nosso idioma em 1753 – quando foi publicada sua primeira tradução completa para o português, feita pelo protestante João Ferreira de Almeida. Hoje, a tradução considerada oficial é a feita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e lançada em 2001. Ela é considerada mais simples e coloquial que as traduções anteriores. De lá para cá, a Bíblia ganhou o mundo e as línguas. Já foi vertida para mais de 300 idiomas e continua um dos livros mais influentes do mundo: todos os anos, são publicadas 11 milhões de cópias do texto integral, e 14 milhões só do Novo Testamento.
Depois de tantos séculos de versões e contra-versões, ainda não há consenso sobre a forma certa de traduzi-la. Alguns buscam traduções mais próximas do sentido e da época original – como as passagens traduzidas do hebraico pelo lingüista David Rosenberg na obra O Livro de J, de 1990. Outros acham que a Bíblia deve ser modernizada para atrair leitores. O lingüista Eugene Nida, que verteu a Bíblia na década de 1960, chegou ao extremo de traduzir a palavra “sestércios”, a antiga moeda romana, por “dólares”. Em 2008, duas versões igualmente ousadas estão agitando as Escrituras: a Green Bible (“Bíblia Verde”, ainda sem versão em português), que destaca 1 000 passagens relacionadas à ecologia – como o momento em que Jó fala sobre os animais –, e a Bible Illuminated (‘Bíblia Iluminada”, em inglês), com design ultramoderno e fotos de celebridades como Nelson Mandela e Angelina Jolie.
A Bíblia se transforma, mas uma coisa não muda: cada pessoa, ou grupo de pessoas, a interpreta de uma maneira diferente – às vezes, com propósitos equivocados. Em pleno século 21, pastores fundamentalistas tentam proibir o ensino da Teoria da Evolução nas escolas dos EUA, sendo que a própria Igreja aceita as teorias de Darwin desde a década de 1950. Líderes como o pastor Jerry Falwell defendem o retorno da escravidão e o apedrejamento de adúlteros, e no Oriente Médio rabinos extremistas usam trechos da Torá para justificar a ocupação de terras árabes. Por quê? Porque está na Bíblia, dizem os radicais. Não é nada disso. Hoje, os principais estudiosos afirmam que a Bíblia não deve ser lida como um manual de regras literais – e sim como o relato da jornada, tortuosa e cheia de percalços, do ser humano em busca de Deus. Porque esse é, afinal, o verdadeiro sentido dessa árvore de histórias regada há 3 mil anos por centenas de mãos, cabeças e corações humanos: a crença num sentido transcendente da existência.
Top 5 pragas
I. Quando os hebreus eram escravos no Egito, o Senhor enviou 10 pragas contra os opressores do povo escolhido. A primeira delas foi transformar toda a água do país em sangue (Êxodo 7:21).
II. Como o faraó não libertava os hebreus, o Senhor radicalizou: matou, numa só noite, todos os primogênitos do Egito. “E houve grande clamor no país, pois não havia casa onde não houvesse um morto” (Êxodo 12:30).
III. Desgostoso com os pecados de Sodoma e Gomorra, Deus destruiu as duas cidades com uma chuvarada de fogo e enxofre (Gênesis 19:24).
IV. Para punir as desobediências do rei Davi, o Senhor enviou uma doença não identificada, que matou 70 mil homens e 200 mil mulheres e crianças (2 Samuel, 24: 1-13).
V. Quando a nação dos filisteus roubou a arca da Aliança, onde estavam guardados os 10 Mandamentos, o Senhor os castigou com um surto de hemorróidas letais. “Os intestinos lhes saíam para fora e apodreciam” (1 Samuel 5:9) .
Os possíveis autores
1200 a.C. - Moisés
Segundo uma lenda judaica, a Torá (obra precursora da Bíblia) teria sido escrita por ele. Mas há controvérsias, pois existe um trecho da Torá que diz: “Moisés morreu e foi sepultado pelo Senhor próximo a Fegor”. Ora, se Moisés é o autor do texto, como ele poderia ter relatado a própria morte?
1000 a.C. - Javista
Viveu na corte do rei Davi, no antigo reino de Israel, e era um aristocrata. Ou, quem sabe, uma aristocrata: para o crítico Harold Bloom, Javista era mulher. Isso porque os personagens femininos da Bíblia (Eva e Sara, por exemplo) são muito mais elaborados que os masculinos.
Século 4 a.C. - Esdras
Líder religioso que reformou o judaísmo e possível editor do Pentateuco (5 primeiros livros da Bíblia). Vários trechos bíblicos editados por ele pregam a violência: “Derrubareis todos os altares dos povos que ides expropriar, queimareis as casas, e mudareis os nomes desses lugares”.
Século 1 - Paulo
Nunca viu Cristo pessoalmente, mas foi o primeiro a escrever sobre ele. Nascido na Turquia, Paulo viajou e fundou igrejas pelo Oriente Médio. Ele escrevia cartas para essas igrejas, contando a incrível aventura de um tal Jesus – que foi crucificado e ressuscitou.
Século 1 - Maria Madalena
Estava entre os discípulos favoritos de Jesus – e, diferentemente do que o Vaticano sustentou durante séculos, nunca foi prostituta. Pelo contrário: tinha influência no cristianismo e é a suposta autora do Apócrifo de Maria, um livro em que fala sobre sua relação pessoal com Jesus e divulga os ensinamentos dele.
Século 1 - João
Escreveu o 4o evangelho do Novo Testamento (João) e o Livro do Apocalipse, o último da Bíblia. Para ele, Jesus não é apenas um messias – é um ser sobrenatural, a própria encarnação de Deus. Essa interpretação mística marca a ruptura definitiva entre judaísmo e fé cristã.
Século 5 - Jerônimo
Nascido no território da atual Hungria, este padre foi enviado a Jerusalém com uma missão importantíssima: traduzir a Bíblia do grego para o latim. Cometeu alguns erros, como dizer que o profeta Moisés tinha chifres (uma confusão com a palavra hebraica karan, que na verdade significa “raio de luz”).
Século 16 - William Tyndale
Possuir trechos da Bíblia em qualquer idioma que não fosse o latim era crime. O professor Tyndale não quis nem saber, traduziu tudo para o inglês, e acabou na fogueira. Mas seu trabalho foi incrivelmente influente: é a base da chamada “Bíblia do Rei James”, até hoje a tradução mais lida nos países de língua inglesa.
Top 5 matanças
I. Um grupo de meninos malcriados zombou da calvície do profeta Eliseu. Pra quê! Na hora, dois ursos famintos saíram de um bosque e comeram as crianças (2 Reis 2:24).
II. Cercado por um exército de filisteus, o herói Sansão apanhou a mandíbula de um jumento morto. Usando o osso como arma, ele massacrou mil inimigos (Juízes, 15:16).
III. O profeta Elias convidou os sacerdotes do deus Baal para uma competição de orações. Era uma armadilha: Elias incitou o povo, que linchou os pagãos (1 Reis 18:40).
VI. Os judeus haviam perdido a fé e começaram a adorar um bezerro de ouro. Moisés ficou furioso e mandou sacerdotes levitas matar 3 mil infiéis (Êxodo 32:19).
V. A nação dos amalequitas disputava o território de Canaã com os judeus. O Senhor ordena que todos os amalequitas sejam chacinados (1 Samuel 15:18).
Top 5 satanagens
I. Após a destruição de Sodoma, os únicos sobreviventes eram Ló e suas duas filhas. As filhas de Lot embebedaram o pai e tiveram com ele a noite mais incestuosa da Bíblia (Gênesis 19:31).
II. O Cântico dos Cânticos, atribuído ao rei Salomão, é altamente erótico. Um dos trechos: “Teu corpo é como a palmeira, e teus seios, como cachos de uvas” (Cânticos 7:7).
III. Os anjos do Senhor tiveram chamegos ilícitos com mulheres mortais. “Vendo os Filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram-nas como mulheres, tantas quanto desejaram” (Gênesis 6:2).
IV. A Bíblia diz que os antigos egípcios eram muito bem-dotados. Após a fuga para Canaã, a judia Ooliba tem saudades dos tempos em que se prostituía no Egito. Tudo porque “seus amantes (...) ejaculavam como cavalos” (Ezequiel 23:20).
V. O hebreu Onã casou com a viúva de seu irmão, mas não conseguia fazer sexo com ela – preferia o prazer solitário. Do nome dele vem o termo “onanismo”, que significa masturbação (Gênesis 38:9).
As história da história
Como o livro sagrado evoluiu ao longo dos tempos
Tanach - Século 5 a.C.
É a Bíblia judaica, e tem 3 livros: Torá (palavra hebraica que significa “lei”), Nebiim (“profetas”) e Ketuvim (“escritos”). É parecida com a Bíblia atual, pois os católicos copiaram seus escritos. Contém as sementes do monoteísmo e da ética religiosa, mas também pregações de violência. A primeira das bíblias tem trechos ambíguos e misteriosos – algumas passagens dão a entender que Javé não é o único deus do Universo.
Septuaginta - Século 3 a.C.
O Oriente Médio era dominado pelos gregos e pelos macedônios. Muitos judeus viviam em cidades de cultura grega, como Alexandria, e desejavam adaptar sua religião aos novos tempos. Diz a lenda que Ptolomeu, rei do Egito, reuniu um grupo de 72 sábios judeus para traduzir a Tanach – e fizeram tudo em 72 dias. Por isso, o resultado é conhecido como Septuaginta. Inclui textos que não constam da Tanach.
Novo Testamento - Século 1
A língua do Antigo Testamento é o hebraico, mas o Novo Testamento foi escrito num dialeto grego chamado coiné. Contém os relatos sobre vida, milagres, morte e ressurreição de Jesus – os evangelhos. Em alguns trechos, vai deixando evidente a divergência entre cristianismo e judaísmo. É o caso, por exemplo, do Evangelho de João, em que Jesus é descrito como uma encarnação de Deus (coisa na qual os judeus não acreditavam).
Católica - Século 4
Seus autores decidiram incluir 7 livros que os judeus não reconheciam. São os chamados Deuterocanônicos: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, Macabeus 1 e 2 (mais trechos dos livros Daniel e Ester). A Bíblia católica bate na tecla do monoteísmo: a palavra hebraica Elohim, usada na Tanach para designar a divindade, é o plural de El, um deus cananeu. Mas foi traduzida no singular e virou “Senhor”.
Ortodoxa - Por volta do século 4
É baseada na Septuaginta, mas também inclui livros considerados apócrifos por católicos e protestantes: Esdras 1, Macabeus 3 e 4 e o Salmo 151. A tradução é mais exata (nesta Bíblia, Moisés nunca teve chifres, um erro de tradução introduzido pela Bíblia latina), e os escritos não são levados ao pé da letra: para os ortodoxos, o que conta são as interpretações do texto bíblico, feitas por teólogos ao longo dos séculos.
Protestante - Século 16
Ao traduzir a Bíblia para o alemão, Martinho Lutero excluiu os livros Deuterocanônicos e mudou algumas coisas. Um exemplo é a palavra grega metanoia, que na Bíblia católica significa “fazer penitência” – uma referência à confissão dos pecados, um dos sacramentos católicos. Já Lutero traduziu metanoia como “reviravolta”. Para ele, confessar os pecados era inútil. O importante era transformar a vida pela fé.
Top 5 milagres
I. O maior de todos os milagres divinos foi o primeiro: a Criação do mundo, pelo poder da palavra. “E Deus disse: que haja luz. E houve luz” (Gênesis 1:3).
II. Para dar-lhe uma amostra de seus poderes, o Senhor leva Ezequiel a um campo cheio de esqueletos – e os traz de volta à vida. “O vento do Senhor soprou neles, e viveram” (Ezequiel, 37; 1-28).
III. Graças à benção divina, o herói Sansão tinha a força de muitos homens. Certa vez, foi atacado por um leão. “O espírito do Senhor deu-lhe poder, e Sansão destroçou a fera com as próprias mãos, como se matasse um cabrito” (Juízes 14:6).
IV. Josué liderava uma batalha contra os amalequitas, mas o Sol estava se pondo. Como não queria lutar no escuro, o hebreu pediu ajuda divina – e o Sol ficou no céu (Josué 10:13).
V. Para fugir do Egito, os hebreus precisavam atravessar o mar Vermelho. E não tinham navios. Moisés ergueu seu bastão e as águas do mar se dividiram. Após a passagem dos hebreus, o profeta deixou que as ondas se fechassem sobre os exércitos do faraó (Êxodo 14; 21-30).
sábado, 21 de maio de 2011
O que existia antes do Big-Bang?
Como os Maias sabiam tanto sobre astronomia?
Os dinossauros tinham sangue quente?
Quando começa a vida?
O causou as eras glaciais?
Como o cérebro funciona?
Qual foi a causa das grandes extinções?
Estamos sós no universo?
Os animais pensam como nós?
Quem foi Jesus?
É possível viajar no tempo?
O que é a cor?
Qual o segredo da linguagem humana?
Quantas dimensões existem no universo?
Quando o homem tornou-se humano?
O que se passa no interior da Terra?
Como os pássaros migram?
O que é a consciência humana?
O que é a luz?
Qual a origem da vida na Terra?
Quem foi o ancestral direto do homem?
Existe uma ordem no universo?
Qual é a idade do universo?
Até quando a Terra agüenta?
O que aconteceria se você caísse no interior de um buraco negro?
Por que sonhamos?
Como o universo vai acabar?
Poderemos vencer a morte?
O que é a felicidade?
Deus existe?
Confira o sumário completo desta edição
Qual a origem da vida na Terra?
Se a vida é um fenômeno raro no Universo ¿ ao menos, no Universo observável -, por que, então, a Terra foi premiada?
Por Rodrigo Cavalcante
Durante séculos, houve várias respostas para essa pergunta. A mais comum é a religiosa. A vida teria origem em um evento sobrenatural. Houve também quem acreditasse que a vida surgia espontaneamente a partir da matéria, tese conhecida como a da Geração Espontânea, que prevaleceu até o século 19. E houve também quem sugerisse que a vida e a matéria coexistem desde a origem do planeta.
Para a maioria dos cientistas, contudo, a vida nasceu de uma série de reações químicas ocorridas sob condições especiais. A base dessa explicação surgiu na década de 1950 quando os cientistas Harold Urey e Stanley Miller produziram aminoácidos essenciais à vida ao misturarem os elementos presentes na atmosfera primitiva e os submeterem a descargas elétricas, simulando os raios na atmosfera.
Desde então, os cientistas conhecem os principais ingredientes que deram origem à vida. A base seria o carbono, que serve como uma espécie de liga entre os demais ingredientes. Do nosso DNA às unhas de nossos pés, o carbono está presente como um dos mais importantes elementos da vida. Acontece que o carbono é abundante no Universo e nem por isso há vida em todos os planetas. O segredo da receita da vida na Terra estaria então no ambiente em que o carbono e outros ingredientes se mesclaram.
A primeira dessas condições foi a existência de água. A segunda foi a existência de uma atmosfera gasosa exposta a altas temperaturas e descargas elétricas. Dentro dessa espécie de cozinha primordial, surgiram os primeiros compostos complexos, alguns deles cercados por uma fina membrana externa, capazes de se auto-replicar ao reagir com a energia do ambiente. Nasciam assim as primeiras bactérias, capazes de sobreviver a temperaturas altíssimas até hoje elas são encontradas na cratera de vulcões , que se reproduziam usando como energia o
hidrogênio, o dióxido de carbono ou o enxofre.
Até aí, tudo o que chamamos de vida poderia se resumir a essas bactérias. Mas o grande salto que a vida deu no planeta ocorreu quando uma delas passou a se comportar de uma maneira diferente, captando a luz sobre um pigmento verde (clorofila) e transformando o dióxido de carbono em dois elementos: o carbono, usado para sua nutrição, e oxigênio, liberado para a atmosfera como um subproduto.
Ao ser liberado como uma espécie de excremento durante milhões de anos, o oxigênio terminou fazendo da Terra um planeta completamente diferente dos outros conhecidos no Universo. O oxigênio liberado pela fotossíntese lentamente transformou a atmosfera e eliminou alguns dos gases que teriam impedido o desenvolvimento da vida, escreveu o biólogo inglês Richard Fortey, autor de Vida: Uma Biografia Não Autorizada. Como explica o biólogo, foi esse fenômeno que permitiu o surgimento de organismos mais complexos, como o próprio homem.
O mistério aqui é saber o que fez com que essa bactéria se comportasse dessa maneira. Apesar da experiência da década de 1950 ter produzido aminoácidos fundamentais à vida, ela não conseguiu produzir vida. Por isso mesmo, há quem considere a hipótese de que a vida na Terra pode ter vindo do espaço, talvez trazida por um dos milhares de meteoritos que caíram no planeta em seus primórdios.
Outros cientistas dizem apenas que, como não temos como reproduzir hoje todas as condições da atmosfera primitiva, tudo o que falta é encontrarmos uma ou outra pequena peça perdida que logo deve ser achada. Até lá, é preciso esperar.
Como os Maias sabiam tanto sobre astronomia?
Os dinossauros tinham sangue quente?
Quando começa a vida?
O causou as eras glaciais?
Como o cérebro funciona?
Qual foi a causa das grandes extinções?
Estamos sós no universo?
Os animais pensam como nós?
Quem foi Jesus?
É possível viajar no tempo?
O que é a cor?
Qual o segredo da linguagem humana?
Quantas dimensões existem no universo?
Quando o homem tornou-se humano?
O que se passa no interior da Terra?
Como os pássaros migram?
O que é a consciência humana?
O que é a luz?
Qual a origem da vida na Terra?
Quem foi o ancestral direto do homem?
Existe uma ordem no universo?
Qual é a idade do universo?
Até quando a Terra agüenta?
O que aconteceria se você caísse no interior de um buraco negro?
Por que sonhamos?
Como o universo vai acabar?
Poderemos vencer a morte?
O que é a felicidade?
Deus existe?
Confira o sumário completo desta edição
Qual a origem da vida na Terra?
Se a vida é um fenômeno raro no Universo ¿ ao menos, no Universo observável -, por que, então, a Terra foi premiada?
Por Rodrigo Cavalcante
Durante séculos, houve várias respostas para essa pergunta. A mais comum é a religiosa. A vida teria origem em um evento sobrenatural. Houve também quem acreditasse que a vida surgia espontaneamente a partir da matéria, tese conhecida como a da Geração Espontânea, que prevaleceu até o século 19. E houve também quem sugerisse que a vida e a matéria coexistem desde a origem do planeta.
Para a maioria dos cientistas, contudo, a vida nasceu de uma série de reações químicas ocorridas sob condições especiais. A base dessa explicação surgiu na década de 1950 quando os cientistas Harold Urey e Stanley Miller produziram aminoácidos essenciais à vida ao misturarem os elementos presentes na atmosfera primitiva e os submeterem a descargas elétricas, simulando os raios na atmosfera.
Desde então, os cientistas conhecem os principais ingredientes que deram origem à vida. A base seria o carbono, que serve como uma espécie de liga entre os demais ingredientes. Do nosso DNA às unhas de nossos pés, o carbono está presente como um dos mais importantes elementos da vida. Acontece que o carbono é abundante no Universo e nem por isso há vida em todos os planetas. O segredo da receita da vida na Terra estaria então no ambiente em que o carbono e outros ingredientes se mesclaram.
A primeira dessas condições foi a existência de água. A segunda foi a existência de uma atmosfera gasosa exposta a altas temperaturas e descargas elétricas. Dentro dessa espécie de cozinha primordial, surgiram os primeiros compostos complexos, alguns deles cercados por uma fina membrana externa, capazes de se auto-replicar ao reagir com a energia do ambiente. Nasciam assim as primeiras bactérias, capazes de sobreviver a temperaturas altíssimas até hoje elas são encontradas na cratera de vulcões , que se reproduziam usando como energia o
hidrogênio, o dióxido de carbono ou o enxofre.
Até aí, tudo o que chamamos de vida poderia se resumir a essas bactérias. Mas o grande salto que a vida deu no planeta ocorreu quando uma delas passou a se comportar de uma maneira diferente, captando a luz sobre um pigmento verde (clorofila) e transformando o dióxido de carbono em dois elementos: o carbono, usado para sua nutrição, e oxigênio, liberado para a atmosfera como um subproduto.
Ao ser liberado como uma espécie de excremento durante milhões de anos, o oxigênio terminou fazendo da Terra um planeta completamente diferente dos outros conhecidos no Universo. O oxigênio liberado pela fotossíntese lentamente transformou a atmosfera e eliminou alguns dos gases que teriam impedido o desenvolvimento da vida, escreveu o biólogo inglês Richard Fortey, autor de Vida: Uma Biografia Não Autorizada. Como explica o biólogo, foi esse fenômeno que permitiu o surgimento de organismos mais complexos, como o próprio homem.
O mistério aqui é saber o que fez com que essa bactéria se comportasse dessa maneira. Apesar da experiência da década de 1950 ter produzido aminoácidos fundamentais à vida, ela não conseguiu produzir vida. Por isso mesmo, há quem considere a hipótese de que a vida na Terra pode ter vindo do espaço, talvez trazida por um dos milhares de meteoritos que caíram no planeta em seus primórdios.
Outros cientistas dizem apenas que, como não temos como reproduzir hoje todas as condições da atmosfera primitiva, tudo o que falta é encontrarmos uma ou outra pequena peça perdida que logo deve ser achada. Até lá, é preciso esperar.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
A educação religiosa e a moral
Numa pesquisa feita pelo psicólogo israelita George Tamarin, com mil crianças, entre os oito e 14 anos, é-lhes relatada a famosa passagem bíblica da batalha de JERICÓ, do livro de JOSUÉ, (em que deus ordena aos Israelitas que destruam a cidade e matem todos os seus habitantes).
Ao apresentar essa passagem às crianças, Tamarin fez aos estudantes a seguinte pergunta:
“Vocês acham que Josué e os israelitas agiram bem ou não?”
As crianças tinham que responder com três alternativas, sendo:
“A”, Aprovação total;
“B” Aprovação parcial;
“C” Reprovação total.
Os resultados foram surpreendentes.
66% responderam “A” aprovação total;
8% responderam “B” aprovação parcial;
26% responderam “C” reprovação total.
Agora vejam três respostas típicas do grupo da aprovação total (A):
1. “Na minha opinião, Josué e os Filhos de Israel agiram bem e aqui estão as razões: Deus prometera essa terra a eles e deu-lhes permissão para conquistá-la. Se eles não tivessem agido dessa maneira ou não tivessem matado ninguém, haveria o perigo de os Filhos de Israel se misturassem com os góis (como eram chamados os ancestrais dos palestinos pelos judeus);”
2. “Em minha opinião Josué estava certo ao fazer aquilo, sendo que um dos motivos é que Deus mandou que eles exterminassem o povo para que as tribos de Israel não fossem assimiladas entre eles e aprendessem seus maus hábitos;”
3. “Josué agiu bem porque o povo que morava na terra era de uma religião diferente e quanto Josué os matou ele varreu a religião deles da face da terra.”
A justificação para o genocídio massivo de Josué é religiosa, em todos os casos, pois, mesmo os que o desaprovam totalmente, o fizeram por motivos religiosos.
Uma menina, por exemplo, não aprovou a atitude de Josué porque ele, para fazê-lo, tinha que entrar na terra do inimigo. Acho que foi mau, porque os Árabes são impuros. E, quando se entra numa terra impura, tornamo-nos impuros e receberemos o castigo que era para eles.
Tamarin, fez outra experiência:
Com um outro grupo de 168 crianças, na mesma faixa etária, e apresentou a mesma história, mas, em vez de falar em Josué, ele inventou um general chamado “Gal. Lyn” e, em vez de Israel, ele inventou um reino chinês de há três mil anos atrás.
Agora, neste grupo, os resultados foram completamente opostos. Apenas 7% das crianças judaicas aprovaram a acção do “general Lyn”, enquanto nada menos que 75% a reprovaram completamente.
Quando a “lealdade” ao judaísmo foi removida da equação, a maioria esmagadora concordou com “os juízos morais que a maioria dos seres humanos modernos teria”.
Os actos praticados por Josué foram um bárbaro genocídio. Mas tudo é diferente sob um ponto de vista religioso. E isso começa nos primeiros anos de vida.
Foi a religião que fez a diferença entre as crianças aprovarem um genocídio e condenarem-no.
Será que essa gente que ergue a sua bíblia, como inspiração para a rectidão moral, tem a mínima noção do que lá está escrito?
Numa pesquisa feita pelo psicólogo israelita George Tamarin, com mil crianças, entre os oito e 14 anos, é-lhes relatada a famosa passagem bíblica da batalha de JERICÓ, do livro de JOSUÉ, (em que deus ordena aos Israelitas que destruam a cidade e matem todos os seus habitantes).
Ao apresentar essa passagem às crianças, Tamarin fez aos estudantes a seguinte pergunta:
“Vocês acham que Josué e os israelitas agiram bem ou não?”
As crianças tinham que responder com três alternativas, sendo:
“A”, Aprovação total;
“B” Aprovação parcial;
“C” Reprovação total.
Os resultados foram surpreendentes.
66% responderam “A” aprovação total;
8% responderam “B” aprovação parcial;
26% responderam “C” reprovação total.
Agora vejam três respostas típicas do grupo da aprovação total (A):
1. “Na minha opinião, Josué e os Filhos de Israel agiram bem e aqui estão as razões: Deus prometera essa terra a eles e deu-lhes permissão para conquistá-la. Se eles não tivessem agido dessa maneira ou não tivessem matado ninguém, haveria o perigo de os Filhos de Israel se misturassem com os góis (como eram chamados os ancestrais dos palestinos pelos judeus);”
2. “Em minha opinião Josué estava certo ao fazer aquilo, sendo que um dos motivos é que Deus mandou que eles exterminassem o povo para que as tribos de Israel não fossem assimiladas entre eles e aprendessem seus maus hábitos;”
3. “Josué agiu bem porque o povo que morava na terra era de uma religião diferente e quanto Josué os matou ele varreu a religião deles da face da terra.”
A justificação para o genocídio massivo de Josué é religiosa, em todos os casos, pois, mesmo os que o desaprovam totalmente, o fizeram por motivos religiosos.
Uma menina, por exemplo, não aprovou a atitude de Josué porque ele, para fazê-lo, tinha que entrar na terra do inimigo. Acho que foi mau, porque os Árabes são impuros. E, quando se entra numa terra impura, tornamo-nos impuros e receberemos o castigo que era para eles.
Tamarin, fez outra experiência:
Com um outro grupo de 168 crianças, na mesma faixa etária, e apresentou a mesma história, mas, em vez de falar em Josué, ele inventou um general chamado “Gal. Lyn” e, em vez de Israel, ele inventou um reino chinês de há três mil anos atrás.
Agora, neste grupo, os resultados foram completamente opostos. Apenas 7% das crianças judaicas aprovaram a acção do “general Lyn”, enquanto nada menos que 75% a reprovaram completamente.
Quando a “lealdade” ao judaísmo foi removida da equação, a maioria esmagadora concordou com “os juízos morais que a maioria dos seres humanos modernos teria”.
Os actos praticados por Josué foram um bárbaro genocídio. Mas tudo é diferente sob um ponto de vista religioso. E isso começa nos primeiros anos de vida.
Foi a religião que fez a diferença entre as crianças aprovarem um genocídio e condenarem-no.
Será que essa gente que ergue a sua bíblia, como inspiração para a rectidão moral, tem a mínima noção do que lá está escrito?
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